segunda-feira, 23 de março de 2009

cores X p&b

























Folha de SP, "Ilustrada", 23/03/09:
Emanoel Araujo tira cor de retratos consagrados

O capítulo "Walter Firmo em Preto-e-Branco", de "Brasil - Imagens da Terra e do Povo", traz fotos que foram consagradas em cores, como a de Pixinguinha que ilustra esta página. A opção foi de Emanoel Araujo, que foi o organizador do livro.
Firmo faz questão de não polemizar, mas assume que não gostou, por ver um "problema autoral". Diretor do Museu Afro Brasil e amigo do fotógrafo há muitos anos, Araujo diz que queria fazer um "contraponto".
"A fotografia em preto-e-branco do Walter nunca é visível, pois a cor nele é muito expressiva, luminosa. Talvez seja o fotógrafo brasileiro que usa melhor a cor. Queria ver como as fotos em preto-e-branco aparecem. E elas aparecem muitíssimo bem", afirma.

Mais mistério
Araujo destaca a série de fotos de 1966 da então desconhecida modelo Marina Montini, depois musa do pintor Di Cavalcanti. Está no livro em cores, como ficou mais conhecida, e em preto-e-branco.
"Ela ganhou um meio-tom que, de certa forma, a deixou mais misteriosa do que em cores. Não quero ser conservador, mas a cor às vezes subtrai a tensão da fotografia", diz ele, também responsável pela mostra de fotos de Firmo em cartaz no Afro Brasil.
Foi Araujo, também, quem decidiu que o livro abriria com um ensaio sobre São Paulo. Sob encomenda, Firmo foi às ruas da cidade em 2007. Um motivo forte da decisão é que o livro foi editado pela Imprensa Oficial do Estado, com recursos do governo estadual.
"São Paulo sempre fica preterida, talvez por não ser fotogênica, ou por ter uma fotogenia mais espartana, menos colorida, menos folclórica, menos tudo", justifica Araujo.
BRASIL - IMAGENS DA TERRA E DO POVO
Autor: Walter Firmo
Editora: Imprensa Oficial do Estado
Quanto: R$ 190

WALTER FIRMO EM PRETO-E-BRANCO
Quando: de ter. a dom., das 10h às 17h (até 29/3)
Onde: Museu Afro Brasil (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10, parque Ibirapuera, tel. 0/xx/11/5579-0593)
Quanto: grátis

terça-feira, 17 de março de 2009

É uma dor bem aqui

- Quando começou?
- Sexta à noite.
- Sofreu algum impacto nessa região?
- É possível, porque tenho feito muita atividade física.
- Perda de apetite?
- Não.
- Algum sangramento?
- Não.
- Alguma possibilidade de estar grávida?
- Não, nenhuma.

quinta-feira, 5 de março de 2009

Livin' La Vida Loca

Cansada demais para escrever qualquer coisa que preste.
E realmente tenho coisas boas para contar, só não tenho como fazer isso no momento.

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Filmes estranhos

Qual o filme mais estranho que você já viu?
Ontem a tv Cultura passou Pele de Asno, que é a adaptação de um conto de fadas do Perrault - um conto de fadas pesadinho, aliás, porque o rei quer se casar a qualquer preço com a princesa, sua filha.



Apesar do argumento incestuoso e do andamento brusco (no estilo "vamos cortar algumas sequências, porque nosso orçamento estourou"), o filme tem cenas esteticamente lindas e não chega a ser esquisito, mas é com certeza pitoresco: mangas bufantes, leggings, humanos com cabeça de animais (hummm...) cavalos vermelhos, homens azuis e soluções totalmente piradas! É ambientado em algum período do século XVII, no máximo XVIII, a protagonista bate manteiga em casa e nem tem colher para mexer a massa do bolo que está preparando; entretanto, eis que, na última cena do filme, o rei surge com sua nova esposa a bordo de um... helicóptero!

Certo. Meu voto para o filme mais estranho que já vi vai para Mistérios e Paixões (Naked Lunch), do David Cronenberg. Gosto dele, me surpreendeu muito na primeira vez em que assisti, tem um visual surrealista e me fez meditar sobre uma série de dilemas relacionados a escritores. Mas é tão bizarro que é quase absurdo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quase nada assim tão feminino



(clique na imagem para ampliar)

"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

Sinto que tanto o "Quase Nada" quanto eu já nos tornamos repetitivos. Isso não pode.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Segredo para ninguém

Na última sexta-feira, tomando um café na estação, antes de voltar pra casa, o dono do café tenta me convencer de que a moça que está a uns 5 metros longe de nós é "a Raica-não-sei-o-quê, que namorou o Ronaldinho e vem sempre aqui, tenho certeza que é ela...". Bate um ventinho gelado, a atendente está lavando louça e de repente começa a espirrar.

DONO: Ih, você vai gripar!
ATENDENTE: Deus me livre!
DONO: Vai sim. Quando eu começo a espirrar, é gripe ou alguma mulher usando aquele perfume... como chama?
ISABELLA: Victoria's Secret?
DONO: Esse mesmo! O treco é forte e enjoativo até não poder mais.
ISABELLA: Concordo com você, é horrível! O pior é que virou moda e elas usam o creme hidratante com o perfume ao mesmo tempo...

Foi muito bom ter ouvido isso de pessoas desconhecidas, porque eu achava que, além de minhas rabugentices costumeiras, estava desenvolvendo uma implicância com cheiros: de fritura, de cigarro, de suor, de gente fedida e também do oposto, gente excessivamente perfumada, virtuoses de borrifadores. Fiquei mesmo feliz, quem sabe esse boca a boca faz as pessoas começarem a se mancar? \o/

Nada de links para a marca citada, porque seria desserviço completo. Mas votem na enquete ;-)

Essa postagem é um protesto para que vocês, mulheres, não caiam na tentação de comprar Victoria's Secret só porque é importado e tá todo mundo usando. E para que vocês, homens, não caiam na besteira de comprar qualquer perfumaria dessa marca para suas amadas. Confiem em seus narizes e em seu bom senso: se nem no inverno brasileiro mais rigoroso uma fragrância da Victoria passaria despercebida, pensem no desastre ambiental que toda essa doçura provoca sob nosso verão intenso.

Gente cheirosa é o que há, mas não queira dominar o ambiente com seu perfume, seja ele nacional ou importado - é crueldade demais. Não tem segredo: em países tropicais, água, sabonete e colônia para sempre.

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009

Citando

Dois dos muitos momentos inspirados de Joseph Conrad, que transcrevo para compartilhar com quem estiver passando por aqui e para não esquecê-los tão cedo:

"Eu não gosto do trabalho, não há homem que goste, mas eu gosto daquilo que há no trabalho - a chance de encontrar você mesmo. Sua própria realidade - para si próprio, e não para os outros- aquela que homem nenhum pode vir a conhecer. Eles podem apenas ver o mero show e nunca saber dizer o que ele realmente significa."

"...Não, é impossível; é impossível descrever a sensação crua de qualquer época da existência de alguém - a sensação que cria sua verdade e seu significado - em sua essência sutil e penetrante. É impossível. Vivemos da mesma maneira que sonhamos: sozinhos".

E eu não acreditava que alguém usasse tanto ; e - quanto eu.

Joseph Conrad, Coração das Trevas (Heart of Darkness, no original. A tradução dos trechos acima é minha).