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terça-feira, 17 de março de 2009

É uma dor bem aqui

- Quando começou?
- Sexta à noite.
- Sofreu algum impacto nessa região?
- É possível, porque tenho feito muita atividade física.
- Perda de apetite?
- Não.
- Algum sangramento?
- Não.
- Alguma possibilidade de estar grávida?
- Não, nenhuma.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quase nada assim tão feminino



(clique na imagem para ampliar)

"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

Sinto que tanto o "Quase Nada" quanto eu já nos tornamos repetitivos. Isso não pode.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Segredo para ninguém

Na última sexta-feira, tomando um café na estação, antes de voltar pra casa, o dono do café tenta me convencer de que a moça que está a uns 5 metros longe de nós é "a Raica-não-sei-o-quê, que namorou o Ronaldinho e vem sempre aqui, tenho certeza que é ela...". Bate um ventinho gelado, a atendente está lavando louça e de repente começa a espirrar.

DONO: Ih, você vai gripar!
ATENDENTE: Deus me livre!
DONO: Vai sim. Quando eu começo a espirrar, é gripe ou alguma mulher usando aquele perfume... como chama?
ISABELLA: Victoria's Secret?
DONO: Esse mesmo! O treco é forte e enjoativo até não poder mais.
ISABELLA: Concordo com você, é horrível! O pior é que virou moda e elas usam o creme hidratante com o perfume ao mesmo tempo...

Foi muito bom ter ouvido isso de pessoas desconhecidas, porque eu achava que, além de minhas rabugentices costumeiras, estava desenvolvendo uma implicância com cheiros: de fritura, de cigarro, de suor, de gente fedida e também do oposto, gente excessivamente perfumada, virtuoses de borrifadores. Fiquei mesmo feliz, quem sabe esse boca a boca faz as pessoas começarem a se mancar? \o/

Nada de links para a marca citada, porque seria desserviço completo. Mas votem na enquete ;-)

Essa postagem é um protesto para que vocês, mulheres, não caiam na tentação de comprar Victoria's Secret só porque é importado e tá todo mundo usando. E para que vocês, homens, não caiam na besteira de comprar qualquer perfumaria dessa marca para suas amadas. Confiem em seus narizes e em seu bom senso: se nem no inverno brasileiro mais rigoroso uma fragrância da Victoria passaria despercebida, pensem no desastre ambiental que toda essa doçura provoca sob nosso verão intenso.

Gente cheirosa é o que há, mas não queira dominar o ambiente com seu perfume, seja ele nacional ou importado - é crueldade demais. Não tem segredo: em países tropicais, água, sabonete e colônia para sempre.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Em busca do homem perdido

Essa postagem tem tudo para se tornar muito longa. Farei o possível para que isso não aconteça e não afaste você, leitor, de mim. Vamos lá.

*

Alguns anos atrás, o Orange Prize for Fiction pediu a 1.900 mulheres do Reino Unido que escolhessem o homem que representaria o encontro perfeito para elas. Super Homem conquistou o 3°lugar, James Bond ficou em 2° e, liderando os níveis de estrogênio, Sr. Darcy. Mais ou menos na mesma época, perguntaram às mulheres quem elas convidariam para um jantar e o Sr. Darcy venceu novamente (James Bond ficou em quarto e o Super Homem não recebeu convites).

Uma pesquisa australiana mais recente, cuja fonte ainda não consegui localizar, mostrou que 8 entre 10 mulheres preferem o Sr. Darcy ao Brad Pitt.

Tendo isso em mente, acho interessante pensar que:
1) Sr. Darcy é protagonista de um dos maiores romances ingleses, Orgulho e Preconceito (no original, Pride and Prejudice), escrito por Jane Austen em 1813. Virou uma série de sucesso da BBC em 1995 e um filme belíssimo em 2005.

2) De 1813 a 2009, muitos anos de fascínio. Porém, como não se subestima o poder de um clássico, essa credibilidade serve como tese, mas não como antí-tese. Tipo, não dá pra dizer que tem alguém tentando forjar o fascínio que ele exerce.

3) É totalmente aceitável que o Sr. Darcy afete mulheres do Reino Unido, mas é no mínimo estranho pensar que essa atração atravesse todo o globo e alcance a Austrália. Além de mim, quantas brasileiras amam o Sr. Darcy? Quantas latino americanas? Etc.

4) Mais estranho ainda é saber que o Sr. Darcy é uma personagem. Tá certo que, em matéria de acessibilidade, o Brad Pitt é tão personagem quanto o Darcy, mas não é assustador ver mulheres (muitas mulheres) preferindo uma personagem de ficção a um ser humano?

Ocorre que as personagens que a Jane Austen criou são magníficas. Quem lê torce por elas e as acompanha com fervor, desejando intensamente que elas existam e/ou que sejam suas amigas. Não permitimos que alguém fale mal delas e chegamos ao ponto de pensar que, na verdade, são criações nossas e não podem pertencer a mais ninguém.

E o Sr. Darcy... ah, o Sr. Darcy é simplesmente demais. Possivelmente a personagem mais perfeita e cativante de Austen (bem como da literatura mundial), o Sr. Darcy é bonito, inteligente, gélido e lacônico; é rico e arrogante, mas não por presunção e sim porque é sincero ao extremo e está comprometido com sua própria felicidade. Como se não bastasse, é generoso, pungente, decidido e, imagine, está solteiro.

Siiiiim, casamento é um negócio, um expediente que confere eletricidade aos romances da Jane; é o século XVIII e a ambição máxima da mulher nessa época, meus caros, é se casar. Nesta sociedade, a posição e segurança máximas que uma mulher pode obter resumem-se a um lar que seja tão seguro quanto o de sua família e ao respeito que o nome de seu marido transferirá ao nome de seu pai - enfim, é uma troca que deve ser equivalente e minimamente compensatória, mesmo que não haja amor. Em uma das cenas do filme, uma mocinha diz à outra: "Não ouse julgar meu casamento [patético], nem todos podem se dar ao luxo de serem românticos".

Se, no entanto, a mocinha da história não faz do casamento sua razão de existir, a narrativa cresce. Se ela tem seu orgulho ferido pelo homem por quem se sente atraída, os sentimentos contraditórios temperam a história. Mas se a mocinha recusa uma proposta de amor e casamento e o homem, despedaçado, é obrigado a engolir em seco, o leitor já está mais do que aflito para que eles finalmente se entendam. Com essa receita, quem consegue não amar Elizabeth Bennet e o Sr. Darcy e tudo aquilo que um acrescenta ao outro? Quem não quer ser como eles? Quem não quer que eles existam? É escapismo, sem dúvida, mas se você puder escolher entre Elizabeth, Darcy, Cinderela, Ulisses ou Brad Pitt, Angelina, Rodrigo Santoro, Gisele, enfim, um ser humano, é absolutamente compreensível que você prefira as personagens de ficção, pois elas te oferecem tudo aquilo que a realidade jamais oferecerá. Estou prestes a dizer algo doloroso, porém verdadeiro: a ficção pode não te agradar sempre, mas ela nunca te abandona.



sábado, 15 de novembro de 2008

Dois momentos

Notícias exibidas no Jornal Hoje do dia 14 de novembro de 2008, que eu acabei assistindo durante o almoço:

1) Jovens israelenses se recusam a servir o exército

Tamar, Omer e Mya se recusam a colaborar com o exército israelense na ocupação de territórios palestinos. Acontece que Tamar, Omer e Mya são meninas, e muito bonitas, aliás. Mas isso para elas não faz a menor diferença - elas são politizadas, estão buscando a abertura de um diálogo, porque sabem que o tempo de guerra e ocupação já devia ter acabado há tempos. Não querem que o país disponha dos melhores anos delas, de seus amigos, amigas e namorados num debate egoísta e mofado.
Enquanto elas tentam conscientizar o exército e as pessoas ao redor delas, são presas praticamente toda semana: o exército as coloca atrás das grades, libera depois de um tempo, faz uma nova convocação e, como elas mantêm sua posição, voltam para a cadeia. No próximo domingo deve acontecer a próxima detenção dessas moças.

2) Concurso "Garota da Laje" pára o centro do Rio
Vocês já sabem do que se trata: um concurso para eleger a garota mais bonita do grupo que se bronzeia na cobertura de concreto da casa. Elas tomam sol, se esquentam bastante, se refrescam com uma mangueira, os vizinhos assistem e as esposas dos vizinhos ficam pra morrer. Para a eleição, as moças fizeram um passeio pelo centro da cidade minimamente biquinizadas, se exibindo pelos bares, praças e afins. Homens tirando fotos no celular e dando seu veredito: "Vou fazer uma laje na minha casa e alugar elas todas por uma tarde inteirinha". Alugar, justamente.

Uma notícia veio seguida da outra, nessa ordem. Primeiro um peso desgraçado, depois algo dito "mais leve", tão leve que praticamente flutua e se perde no céu.

Não precisaria escrever mais, se não quisesse. Não é bom generalizar, mas a mulher brasileira tá cada dia mais burra, degradada e sinto muita vergonha disso tudo. Não que os homens estejam num patamar muito melhor, mas sei lá... quando eu vejo humanos fazendo e falando tanta sujeira, me sinto ofendida. Quando eu, como mulher, vejo mulheres descendo tanto, lamento um pouco mais, pensando no ponto a que as lutas do movimento feminista chegaram.

Penso, com admiração e tristeza, na luta sincera das garotas israelenses que se sujeitam ao exército por integridade, entregando somente aquilo que não podem mais deter. Vocês decidem qual desses momentos é céu e qual deles é inferno, se conseguirem. Eu não quero mais.