"Préliminaires" é o nome do disco mais recente do Iggy Pop. Se você me conhece há algum tempo, já deve ter me ouvido falar isso, mas o fato é que esta é a hora perfeita para repetir: o Iggy é demais.
Ele ainda é incapaz de usar uma camisa, o que ao mesmo tempo lhe impede de esconder sua barriguinha e outras saliências e isso também é lindo da parte dele: para quê esconder as marcas que a vida nos fez, sejam elas visíveis ou não? Iggy é autêntico: há anos não lançava um material novo que prestasse, não tem um piercing ou uma tatuagem sequer, mas mantém os cabelos loiros e longos, deve malhar e deve beber. É um punk forever, cão sem dono aberto para a arte e para novas propostas - por isso, não vê necessidade em gritar, convulsionar e se jogar nos amplificadores o tempo todo. É preciso economizar alguma energia e entre os momentos extremos há as preliminares; não só as sexuais, mas também as da efemeridade ("Em minha idade, cada ato é preliminar da morte", disse Iggy no lançamento) e, acima de tudo, as que precedem uma nova fase. São a entresafra de algo que ainda não se sabe o quê.
"Préliminaires" é belíssimo. Há canções em francês, em inglês e a leitura de um trecho sobre a morte de um cão (do livro A possibilidade de uma ilha, de Houellebecq). Poucos discos já me ativaram tantos sentimentos diferentes. Parece uma trilha sonora, que recupera um mesmo tema várias vezes, mas as guitarras e distorções ainda estão todas lá, graças a Deus; em alguns momentos me lembra Doors e Tom Waits, ídolos da minha adolescência; me lembra praia no inverno; me lembra de coisas muito íntimas, que estão tão dentro de mim que eu precisaria nascer de novo para me livrar delas; me lembra "Cidade dos Sonhos", de David Lynch, o que me lembra Ricardo e outras coisas que gosto, que já tive e que perdi; me deixa triste e também me conforta. É a única coisa que consigo ouvir agora.
Spit on H*tler’s Grave 19.09-24.09.2025 StadtWERKSTATT,
Friedrichshain-Kreuzberg – Berlin The exhibition Spit on H*tler’s Grave –
An exhibition against the...

12 comentários:
Não conheço muito o som dele, mas esse cara é o que é conhecido como iguana, né? Iguana me lembra aquele monstro fantástico, o Godzila, que me lembra a terra do sol nascente, que me lembra cadeias, onde o sol nasce quadrado, que me lembra do Papilon (um grande livro da minha adoslecência), o Papilon era francês, da mesma lingua cantanda em algumas músicas do novo cd do Iguana. Para o Papilon não ouve preliminares. Para certas coisas todo mundo tem direito as preliminares. Iguana, Godzila, Japão, celas frias, SPAN, Papilon, SPAN, SPAN, França, Final da Copa de 98, Avante azuis, SPAN, SPAN, SPAN, __X__
ahahahahah. avante, azuis!
por falar em azuis, viram aquela cidade britânica que bateu o recorde com maior número de pessoas vestidas de smurfs? esses ingleses só tiram onda.
Não seria Camaleão? E o Camaleão é o David Bowie! De qualquer maneira são todos répteis! :)
Não sabia que Iggy Pop era tudo isso, vou ter que dar uma escutada no cd!
Camaleão é o Bowie mesmo... o Iggy mais rasteja do que qualquer coisa.
Quem é você, Rogério? Obrigada pela vista e pelo comentário ^_^
Verdade, mas se não estou enganado, ele rasteja mais como cachorro que lagarto!
Eu sou Deus escolhendo quem vai para o Éden, e vim dizer que você reprovou pois escuta músicas do Demo. Mentira. :P
Sou um velho amigo da comunidade do Alan Moore!
ps: Blog legal
"Eu sou Deus escolhendo quem vai para o Éden, e vim dizer que você reprovou pois escuta músicas do Demo", ahahahahah, muito bom.
Na verdade, o blog tá meio abandonado. Eu venho pra cá e não consigo escrever as coisas em que tinha pensado.
Loucura aquela comu do Alan Moore, desencanei de discutir com a aquele povo, mas sinto saudades.
Ao menos você teve a coragem de cria-lo. As vezes me bate uma vontade de criar um, mas não sei se conseguiria manter o nível.
"Eu venho pra cá e não consigo escrever as coisas em que tinha pensado." Também sofro disso. E ainda meus textos sempre parecem menos interessantes que quando estão no mundo das idéias. Esse é outro motivo de eu não ter um blog! :/
Só continuo para obter notícias de trabalhos do Moore, como faço com a maioria das comunidades.
Ah, você deveria tentar. Os blogs têm altos e baixos, não adianta se torturar por causa disso.
O mais legal é que, em meio a essas fases, conhecemos pessoas com coisas interessantes para dizer, ou pessoas que ouviram um cd porque o blogueiro indicou, enfim... amizades começam (e talvez terminem) por causa de uma postagem inocente ^_^
Obrigado pela dica, vou tentar passar uns textos que tenho em mente para o papel, e se ficar bom, talvez eu monte um blog! :)
Não tinha como deixar de ouvir o cd pela maneira apaixonada como o descreveu, e pelo próprio cd que possui um tema interessante.Enfim minha curiosidade não me permitiria passas batido por ele!
Sério que você ouviu o cd, Rogério? Espero que tenha gostado; do contrário, a paixão pouco valeu ^_^
Me avise quando seu blog estiver pronto. Beijinho!
Ouvi sim e gostei, até assisti o clipe de King of the dogs. Só achei o cd muito curto, ainda mais com aquelas versões de Les feuilles mortes e Je sais que tu sais.
Pode deixar que aviso! :)
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