
Hoje a titia quer contar uma história, principalmente porque não desejo esquecê-la tão cedo.
Estava estudando umas cousas ontem e acabei caindo no nome Thor Heyerdahl, que deve ter sido uma pessoa fascinante. Em 1947 ele construiu uma balsa a partir de um modelo pré-histórico e, com ela, cruzou o Pacífico porque queria provar que os primeiros polinésios poderiam ter imigrado via América do Sul - ou seja, via meio hemisfério de água - e não pela Ásia, hipótese defendida pelos arqueólogos da época. Thor começou sua expedição porque, antes, estudando o oceano da região, deduziu que as correntes do Sul favoreciam a locomoção, embora representassem uma longa jornada do Peru até a Polinésia.
Os acadêmicos ridicularizaram essa ideia e criticaram o Thor, primeiro porque ele não tinha nada que se infiltrar em arqueologia, se era um zoologista; e, segundo, porque apresentou uma teoria audaciosa ao público sem submetê-la à academia.
Daí fiquei pensando em todas as pessoas que têm algo pra dizer e não conseguem, por causa de motivos idiotas como estes. Pensei na comunidade acadêmica brasileira e no que (não) consegui fazer através dela, no quanto eu e tantos outros fomos "podados" - não que eu tenha grandes coisas a dizer, muito pelo contrário. E pensei no Thor com muito carinho, quando li algo que ele disse sobre esse meio:
"(...) me deixou a convicção de que há algo de errado na ciência. Há tanta informação hoje em dia que, para fazer qualquer progresso, você é forçado a se especializar e qualquer tentativa no sentido de condensar é impossível e depreciada, enquanto que eu sempre procurei saber como as coisas se relacionam umas com as outras. Lamento pelos milhares de jovens que são esmagados por ortodoxias científicas antes mesmo de terem uma chance de avançar em suas próprias ideias".
Será que é por isso que eu tenho tanto receio das minhas ideias? Será por isso que defender minhas ideias já não me faz tanta diferença?


