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sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Os Maias

Também conhecido como "Os Malas" pelos vestibulandos bocós que precisam destes trocadilhos para aguentar o tranco.
Escrito por Eça de Queirós, é desses livros que há muito tempo estavam na minha lista de "preciso ler" - finalmente rolou e o terminei nessa noite. Nem conseguia dormir depois, porque eu não queria ter terminado, queria que durasse pra sempre, não queria devolver na biblioteca, queria jantar no Ramalhete e ser da turma do Carlos da Maia e do pedante do Ega. Esnobes, egoístas, arrogantes, insuportáveis, mas que sabiam se divertir. E o livro tem piadas! E também é engraçado em momentos infames!

Há muito tempo um livro não me comovia tanto e não me dava vontade de gritar em alguns de seus momentos. Grande parte da referência cultural e social europeia do século XIX está ali (adoro século XIX) num retrato daquela que talvez tenha sido a última década em que a humanidade se entusiasmou com o mundo.

O primo Basílio? O crime do padre Amaro? É este Eça que deveriam nos dar para ler na escola. Sim, eu sei que seria impossível pedir que os alunos lessem um romance português tão extenso, etc, mas o fato é que Os Maias é incomparável, rico e delicioso em cada detalhe. As frequentes descrições que Eça adora escrever estão todas lá, os estrangeirismos, a excitação do século XIX, que sintetizava o mundo na palavra "progresso", os tipos e personagens únicos, a filosofia, as trivialidades e a as preocupações teóricas. Eça era um engajado em sua causa - conseguia estudar, digerir e pôr em prática as grandes propostas de sua época em sua obra. Como não vê-lo diluído e dissipado nas vozes de Ega, Alencar e Carlos? Como não simpatizar com o expoente máximo do realismo português que, ainda assim, se ressente e se expõe como herdeiro eterno do romantismo, no evidente diálogo final entre Carlos e Ega?

Tenho que amar o Eça depois disso.
Meeeu, Os maias...




"Não sei se ela ainda se lembra de uma boneca que eu lhe dei, que falava, dizia 'Napoleón'... Era no tempo do Império, até as desavergonhadas das bonecas eram imperialistas!" (p.481)

"Você alcança deste modo a coisa que mais se apetece neste nosso século XIX - a irresponsabilidade!... E depois para a sua família não é vergonha, porque você não tem família. Em resumo, convém-lhe?" (p.436, ed. Círculo do Livro)

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Local

Semana passada estava fuçando na biblioteca e vi um exemplar sério de hq disposto naquelas prateleiras de destaque, onde geralmente vemos os mais populares. Achei muuuito estranho ver uma hq séria exposta ali, assim como uma hq séria na biblioteca municipal. Digo "séria" porque as hq's que geralmente marcam presença nas bibliotecas das cidades são coletâneas de piadas e charges publicadas em jornais (Angeli, Adão...), Radical Chic, Maitena e por aí vai. Já tava atrasada, não analisei muito: trouxe o quadrinho para casa. O nome? Local, de Brian Wood e Ryan Kelly.
*
Depois, lendo a contracapa, descobri que esse Brian Wood é o mesmo cara que fez DMZ, uma das séries que eu mais curtia acompanhar no meu tempo de Pixel Magazine, e criador do game GTA. E a arte do Ryan Kelly tem uma pegada punk, o que me agrada muito. Daí foi fácil. Local se constroi em torno de Megan McKeena e seu ano de mochileira por vários lugares dos Estados Unidos - devidamente pesquisados e retratados por Kelly com muita paixão. Os locais são, aliás, o protagonista da série, que parece querer investigar o efeito de um local na vida de alguém. Somos definidos pelo local onde nascemos? Pelo local onde vivemos? Pelos locais por onde passamos? As cidades influenciam nosso comportamento e personalidade? Se sim, até que ponto? Isso é coisa boa de se pensar... recomendo muito a leitura e, se você é de Jundiaí, aproveite, porque devolvi o exemplar hoje, na nossa biblioteca local. Lá, encontrei também um Frank Miller, alguns do Calvin & Haroldo, os gêmeos Bá e, pasmem, um Neil Gaiman. Não sei o quanto essa cidade formou meu caráter e personalidade, mas sei que vira e mexe ela me surpreende horrores ^_~

LOCAL: PONTO DE PARTIDA
História: Brian Wood
Arte: Ryan Kelly
Devir Editora, 2008.
Brochura | Formato: 16,5 x 24 | 200 págs.
TRADUTOR: Minutemen Studio


*
Escrever é uma coisa que eu realmente gosto de fazer. Senti falta do blog e, por isso, voltar pra cá foi melhor do que imaginava.

sábado, 6 de junho de 2009

Preliminares

"Préliminaires" é o nome do disco mais recente do Iggy Pop. Se você me conhece há algum tempo, já deve ter me ouvido falar isso, mas o fato é que esta é a hora perfeita para repetir: o Iggy é demais.
Ele ainda é incapaz de usar uma camisa, o que ao mesmo tempo lhe impede de esconder sua barriguinha e outras saliências e isso também é lindo da parte dele: para quê esconder as marcas que a vida nos fez, sejam elas visíveis ou não? Iggy é autêntico: há anos não lançava um material novo que prestasse, não tem um piercing ou uma tatuagem sequer, mas mantém os cabelos loiros e longos, deve malhar e deve beber. É um punk forever, cão sem dono aberto para a arte e para novas propostas - por isso, não vê necessidade em gritar, convulsionar e se jogar nos amplificadores o tempo todo. É preciso economizar alguma energia e entre os momentos extremos há as preliminares; não só as sexuais, mas também as da efemeridade ("Em minha idade, cada ato é preliminar da morte", disse Iggy no lançamento) e, acima de tudo, as que precedem uma nova fase. São a entresafra de algo que ainda não se sabe o quê.



"Préliminaires" é belíssimo. Há canções em francês, em inglês e a leitura de um trecho sobre a morte de um cão (do livro A possibilidade de uma ilha, de Houellebecq). Poucos discos já me ativaram tantos sentimentos diferentes. Parece uma trilha sonora, que recupera um mesmo tema várias vezes, mas as guitarras e distorções ainda estão todas lá, graças a Deus; em alguns momentos me lembra Doors e Tom Waits, ídolos da minha adolescência; me lembra praia no inverno; me lembra de coisas muito íntimas, que estão tão dentro de mim que eu precisaria nascer de novo para me livrar delas; me lembra "Cidade dos Sonhos", de David Lynch, o que me lembra Ricardo e outras coisas que gosto, que já tive e que perdi; me deixa triste e também me conforta. É a única coisa que consigo ouvir agora.

sábado, 16 de maio de 2009

BCSP em Jundiaí

Balé da Cidade de São Paulo em Jundiaí. De graça. Só pode significar uma coisa: Deus existe.



Hoje às 19h00, no Polytheama. Vejo vocês lá.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A hora do planeta



Quanto a mim, estarei na penumbra deliciosa do Teatro Polytheama, ao som do Yamandu Costa, que marcará o início da temporada Astra-Finamax 2009 (a.k.a. Alegria de velhinhos e juventude jundiaiense que prestigia tudo o que é acima da média dos eventos "culturais" que vêm pra cá). É bom não precisar procurar diversão fora da cidade em todos os finais de semana do ano.

segunda-feira, 23 de março de 2009

cores X p&b

























Folha de SP, "Ilustrada", 23/03/09:
Emanoel Araujo tira cor de retratos consagrados

O capítulo "Walter Firmo em Preto-e-Branco", de "Brasil - Imagens da Terra e do Povo", traz fotos que foram consagradas em cores, como a de Pixinguinha que ilustra esta página. A opção foi de Emanoel Araujo, que foi o organizador do livro.
Firmo faz questão de não polemizar, mas assume que não gostou, por ver um "problema autoral". Diretor do Museu Afro Brasil e amigo do fotógrafo há muitos anos, Araujo diz que queria fazer um "contraponto".
"A fotografia em preto-e-branco do Walter nunca é visível, pois a cor nele é muito expressiva, luminosa. Talvez seja o fotógrafo brasileiro que usa melhor a cor. Queria ver como as fotos em preto-e-branco aparecem. E elas aparecem muitíssimo bem", afirma.

Mais mistério
Araujo destaca a série de fotos de 1966 da então desconhecida modelo Marina Montini, depois musa do pintor Di Cavalcanti. Está no livro em cores, como ficou mais conhecida, e em preto-e-branco.
"Ela ganhou um meio-tom que, de certa forma, a deixou mais misteriosa do que em cores. Não quero ser conservador, mas a cor às vezes subtrai a tensão da fotografia", diz ele, também responsável pela mostra de fotos de Firmo em cartaz no Afro Brasil.
Foi Araujo, também, quem decidiu que o livro abriria com um ensaio sobre São Paulo. Sob encomenda, Firmo foi às ruas da cidade em 2007. Um motivo forte da decisão é que o livro foi editado pela Imprensa Oficial do Estado, com recursos do governo estadual.
"São Paulo sempre fica preterida, talvez por não ser fotogênica, ou por ter uma fotogenia mais espartana, menos colorida, menos folclórica, menos tudo", justifica Araujo.
BRASIL - IMAGENS DA TERRA E DO POVO
Autor: Walter Firmo
Editora: Imprensa Oficial do Estado
Quanto: R$ 190

WALTER FIRMO EM PRETO-E-BRANCO
Quando: de ter. a dom., das 10h às 17h (até 29/3)
Onde: Museu Afro Brasil (av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10, parque Ibirapuera, tel. 0/xx/11/5579-0593)
Quanto: grátis

domingo, 22 de fevereiro de 2009

Filmes estranhos

Qual o filme mais estranho que você já viu?
Ontem a tv Cultura passou Pele de Asno, que é a adaptação de um conto de fadas do Perrault - um conto de fadas pesadinho, aliás, porque o rei quer se casar a qualquer preço com a princesa, sua filha.



Apesar do argumento incestuoso e do andamento brusco (no estilo "vamos cortar algumas sequências, porque nosso orçamento estourou"), o filme tem cenas esteticamente lindas e não chega a ser esquisito, mas é com certeza pitoresco: mangas bufantes, leggings, humanos com cabeça de animais (hummm...) cavalos vermelhos, homens azuis e soluções totalmente piradas! É ambientado em algum período do século XVII, no máximo XVIII, a protagonista bate manteiga em casa e nem tem colher para mexer a massa do bolo que está preparando; entretanto, eis que, na última cena do filme, o rei surge com sua nova esposa a bordo de um... helicóptero!

Certo. Meu voto para o filme mais estranho que já vi vai para Mistérios e Paixões (Naked Lunch), do David Cronenberg. Gosto dele, me surpreendeu muito na primeira vez em que assisti, tem um visual surrealista e me fez meditar sobre uma série de dilemas relacionados a escritores. Mas é tão bizarro que é quase absurdo.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

Quase nada assim tão feminino



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"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

Sinto que tanto o "Quase Nada" quanto eu já nos tornamos repetitivos. Isso não pode.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quase nada assim tão malicioso




(clique na imagem para ampliar)

"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Altos e baixos, para todos

No último sábado fiz um bate-volta até São Paulo, queria conhecer a feira (e o bairro) da Liberdade e dar uma volta no centro sujo e fedido.
Foi lá perto dos arranha-céus bancários que ele apareceu, todo desbotado, detonado, trancado e com cara de poucos amigos: o edifício Sampaio Moreira. Fiquei deslumbrada com as sacadas de diferentes tamanhos e a fachada assimétrica, com acabamentos distintos entre os andares e, lá no topo, o charme definitivo de um terraço inicialmente destinado a abrigar uma casa de chá.
Daí logicamente quis entrar, mas só pude imaginar como é por dentro - estava, como disse, trancado, e só havia uma mercearia no térreo, funcionando a pleno vapor. Achei umas páginas com informações bacanas (imaginem que o elevador é movido por uma alavanca dourada, campainha ao invés de painel de chamada e portas manuais, claro; artesanal, o lindo) e encontrei também descrições do saguão de entrada.

É. Não me interessa muito subir no prédio do Banespa, nem ver o futurismo arquitetônico do Instituto Tomie Ohtake. Eu quero ver sacadas enferrujadas, colunas escurecidas, pintura descascada, o piso solto pelos pés que zanzaram por lá ao longo dos anos. Quero os edifícios esquecidos, espremidos entre prédios modernos, enjeitados pela própria família. Quero dinheiro para abrir a casa de chá no terraço.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Quase nada assim tão dramático



(clique na imagem para ampliar)

"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Quase nada assim tão bonito


(clique na imagem para ampliar)

"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada/ Folha de SP.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Propostas, promessas


:-D

Lista de planos que tinha feito em dezembro de 2007, tendo em mente minhas metas para o ano de 2008 (devidamente seguidas pelo resultado, uma prestação de contas a mim mesma):

1) Fazer atividade física
Fiz bastante, sem querer largar tudo após três meses. Tudo muda quando se exercita por prazer, não pelo bem da sua saúde, etc, etc. Musculação é simplesmente o resto da vida, me dói pensar nos anos que perdi com ela.

2) Investir na minha carreira de tradutora
Estou movimentando essa área, mas ainda não tá satisfatória... vou precisar de pelo menos mais um ano para concluir essa.

3) Ir à missa toda semana
Uma meta totalmente altruísta, à qual me comprometi apenas para deixar meus pais contentes. Porém, na época da Semana Santa, algo muito ruim aconteceu e só veio confirmar algo que era verdade pra mim já há muitos anos: Religião é bem mais do que Igreja, e igreja não necessariamente significa Religião.

4) Ler e estudar bastante árabe e espanhol
Estudei porcaria nenhuma.


5) Me envolver com algum tipo de arte; pode ser pouca, mas constante

É, complicado. Escrevi algumas coisas, pensei, dancei, mas sou melhor como espectadora, acho.

*

Já tenho algumas metas pra 2009, mas só falarei delas daqui a um ano. Ou não.
O melhor de tudo é que muita coisa acontece nesse espaço de tempo, coisas que felizmente transcendem, e muito, as metas; por isso é bom não ser muito ambicioso ou se ater demais a planos.

De qualquer forma, é só um trecho de tempo - assim, 2008 foi muito ruim e muito bom, mas acima de tudo foi um ano intenso como poucos, em grande parte porque eu trabalhei para que fosse intenso. Exigi bastante de mim e dos outros, mais do que de costume. Desejo a todos um 2009 de muita paz, saúde, amor e conquistas. Amo vocês, divirtam-se ^_^

sábado, 8 de novembro de 2008

Dindi

Não assisti ao filme, mas a história de uma dona de quitanda à beira da falência já rendeu um pôster belíssimo:



Bom final de semana, divirtam-se: