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sexta-feira, 23 de julho de 2010

Breve estudo sobre marcas de interação relutante

Dados coletados a partir de diálogos entre os mesmos falantes, em dias, locais e horários aleatórios, para possível estudo sociolinguístico.
As iniciais foram trocadas para preservar a identidade dos falantes.

(1)
BF: - Nunca vi esse filme, como é?
MZ: - Antigo.

(2)
BF: - Ah, a garrafa não é tão pequena assim, quantos mililitros vêm?
MZ: - Poucos.

(3)
BF: - Adoro suas camisetas, onde você compra?
MZ: - Na loja.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Local

Semana passada estava fuçando na biblioteca e vi um exemplar sério de hq disposto naquelas prateleiras de destaque, onde geralmente vemos os mais populares. Achei muuuito estranho ver uma hq séria exposta ali, assim como uma hq séria na biblioteca municipal. Digo "séria" porque as hq's que geralmente marcam presença nas bibliotecas das cidades são coletâneas de piadas e charges publicadas em jornais (Angeli, Adão...), Radical Chic, Maitena e por aí vai. Já tava atrasada, não analisei muito: trouxe o quadrinho para casa. O nome? Local, de Brian Wood e Ryan Kelly.
*
Depois, lendo a contracapa, descobri que esse Brian Wood é o mesmo cara que fez DMZ, uma das séries que eu mais curtia acompanhar no meu tempo de Pixel Magazine, e criador do game GTA. E a arte do Ryan Kelly tem uma pegada punk, o que me agrada muito. Daí foi fácil. Local se constroi em torno de Megan McKeena e seu ano de mochileira por vários lugares dos Estados Unidos - devidamente pesquisados e retratados por Kelly com muita paixão. Os locais são, aliás, o protagonista da série, que parece querer investigar o efeito de um local na vida de alguém. Somos definidos pelo local onde nascemos? Pelo local onde vivemos? Pelos locais por onde passamos? As cidades influenciam nosso comportamento e personalidade? Se sim, até que ponto? Isso é coisa boa de se pensar... recomendo muito a leitura e, se você é de Jundiaí, aproveite, porque devolvi o exemplar hoje, na nossa biblioteca local. Lá, encontrei também um Frank Miller, alguns do Calvin & Haroldo, os gêmeos Bá e, pasmem, um Neil Gaiman. Não sei o quanto essa cidade formou meu caráter e personalidade, mas sei que vira e mexe ela me surpreende horrores ^_~

LOCAL: PONTO DE PARTIDA
História: Brian Wood
Arte: Ryan Kelly
Devir Editora, 2008.
Brochura | Formato: 16,5 x 24 | 200 págs.
TRADUTOR: Minutemen Studio


*
Escrever é uma coisa que eu realmente gosto de fazer. Senti falta do blog e, por isso, voltar pra cá foi melhor do que imaginava.

terça-feira, 17 de março de 2009

É uma dor bem aqui

- Quando começou?
- Sexta à noite.
- Sofreu algum impacto nessa região?
- É possível, porque tenho feito muita atividade física.
- Perda de apetite?
- Não.
- Algum sangramento?
- Não.
- Alguma possibilidade de estar grávida?
- Não, nenhuma.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Segredo para ninguém

Na última sexta-feira, tomando um café na estação, antes de voltar pra casa, o dono do café tenta me convencer de que a moça que está a uns 5 metros longe de nós é "a Raica-não-sei-o-quê, que namorou o Ronaldinho e vem sempre aqui, tenho certeza que é ela...". Bate um ventinho gelado, a atendente está lavando louça e de repente começa a espirrar.

DONO: Ih, você vai gripar!
ATENDENTE: Deus me livre!
DONO: Vai sim. Quando eu começo a espirrar, é gripe ou alguma mulher usando aquele perfume... como chama?
ISABELLA: Victoria's Secret?
DONO: Esse mesmo! O treco é forte e enjoativo até não poder mais.
ISABELLA: Concordo com você, é horrível! O pior é que virou moda e elas usam o creme hidratante com o perfume ao mesmo tempo...

Foi muito bom ter ouvido isso de pessoas desconhecidas, porque eu achava que, além de minhas rabugentices costumeiras, estava desenvolvendo uma implicância com cheiros: de fritura, de cigarro, de suor, de gente fedida e também do oposto, gente excessivamente perfumada, virtuoses de borrifadores. Fiquei mesmo feliz, quem sabe esse boca a boca faz as pessoas começarem a se mancar? \o/

Nada de links para a marca citada, porque seria desserviço completo. Mas votem na enquete ;-)

Essa postagem é um protesto para que vocês, mulheres, não caiam na tentação de comprar Victoria's Secret só porque é importado e tá todo mundo usando. E para que vocês, homens, não caiam na besteira de comprar qualquer perfumaria dessa marca para suas amadas. Confiem em seus narizes e em seu bom senso: se nem no inverno brasileiro mais rigoroso uma fragrância da Victoria passaria despercebida, pensem no desastre ambiental que toda essa doçura provoca sob nosso verão intenso.

Gente cheirosa é o que há, mas não queira dominar o ambiente com seu perfume, seja ele nacional ou importado - é crueldade demais. Não tem segredo: em países tropicais, água, sabonete e colônia para sempre.