No último sábado fiz um bate-volta até São Paulo, queria conhecer a feira (e o bairro) da Liberdade e dar uma volta no centro sujo e fedido.
Foi lá perto dos arranha-céus bancários que ele apareceu, todo desbotado, detonado, trancado e com cara de poucos amigos: o edifício Sampaio Moreira. Fiquei deslumbrada com as sacadas de diferentes tamanhos e a fachada assimétrica, com acabamentos distintos entre os andares e, lá no topo, o charme definitivo de um terraço inicialmente destinado a abrigar uma casa de chá.
Daí logicamente quis entrar, mas só pude imaginar como é por dentro - estava, como disse, trancado, e só havia uma mercearia no térreo, funcionando a pleno vapor. Achei umas páginas com informações bacanas (imaginem que o elevador é movido por uma alavanca dourada, campainha ao invés de painel de chamada e portas manuais, claro; artesanal, o lindo) e encontrei também descrições do saguão de entrada.
É. Não me interessa muito subir no prédio do Banespa, nem ver o futurismo arquitetônico do Instituto Tomie Ohtake. Eu quero ver sacadas enferrujadas, colunas escurecidas, pintura descascada, o piso solto pelos pés que zanzaram por lá ao longo dos anos. Quero os edifícios esquecidos, espremidos entre prédios modernos, enjeitados pela própria família. Quero dinheiro para abrir a casa de chá no terraço.
Spit on H*tler’s Grave 19.09-24.09.2025 StadtWERKSTATT,
Friedrichshain-Kreuzberg – Berlin The exhibition Spit on H*tler’s Grave –
An exhibition against the...

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