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quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

Local

Semana passada estava fuçando na biblioteca e vi um exemplar sério de hq disposto naquelas prateleiras de destaque, onde geralmente vemos os mais populares. Achei muuuito estranho ver uma hq séria exposta ali, assim como uma hq séria na biblioteca municipal. Digo "séria" porque as hq's que geralmente marcam presença nas bibliotecas das cidades são coletâneas de piadas e charges publicadas em jornais (Angeli, Adão...), Radical Chic, Maitena e por aí vai. Já tava atrasada, não analisei muito: trouxe o quadrinho para casa. O nome? Local, de Brian Wood e Ryan Kelly.
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Depois, lendo a contracapa, descobri que esse Brian Wood é o mesmo cara que fez DMZ, uma das séries que eu mais curtia acompanhar no meu tempo de Pixel Magazine, e criador do game GTA. E a arte do Ryan Kelly tem uma pegada punk, o que me agrada muito. Daí foi fácil. Local se constroi em torno de Megan McKeena e seu ano de mochileira por vários lugares dos Estados Unidos - devidamente pesquisados e retratados por Kelly com muita paixão. Os locais são, aliás, o protagonista da série, que parece querer investigar o efeito de um local na vida de alguém. Somos definidos pelo local onde nascemos? Pelo local onde vivemos? Pelos locais por onde passamos? As cidades influenciam nosso comportamento e personalidade? Se sim, até que ponto? Isso é coisa boa de se pensar... recomendo muito a leitura e, se você é de Jundiaí, aproveite, porque devolvi o exemplar hoje, na nossa biblioteca local. Lá, encontrei também um Frank Miller, alguns do Calvin & Haroldo, os gêmeos Bá e, pasmem, um Neil Gaiman. Não sei o quanto essa cidade formou meu caráter e personalidade, mas sei que vira e mexe ela me surpreende horrores ^_~

LOCAL: PONTO DE PARTIDA
História: Brian Wood
Arte: Ryan Kelly
Devir Editora, 2008.
Brochura | Formato: 16,5 x 24 | 200 págs.
TRADUTOR: Minutemen Studio


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Escrever é uma coisa que eu realmente gosto de fazer. Senti falta do blog e, por isso, voltar pra cá foi melhor do que imaginava.

sábado, 30 de maio de 2009

Firmin

"O bigode de Jerry era bastante espesso e atraía grãos de arroz como um ímã quando ele comia - os grãos pareciam voar na direção dele. Passado um bom tempo, quando já me sentia mais seguro quanto ao nosso relacionamento, eu costumava tirar esses grãos dali com as minhas patas e os engolia. Isso sempre o fazia rir. E, quando ele ria, era fácil imaginar que eu estava diante do homem não apenas mais inteligente, mas também mais feliz do mundo."


Firmin, de Sam Savage (Ed Planeta, 2008).

sábado, 27 de dezembro de 2008

A mão esquerda da escuridão

Sei que em dezembro fiquei absurdamente ausente do blog, por estar ocupada com trabalho e outras coisas, o que torna no mínimo estranho eu aparecer por aqui em pleno dia 27 para postar. Mas o fato é que eu precisava vir escrever agora, "no calor da hora", para falar a meus queridos leitores quão grandioso é o livro "A mão esquerda da escuridão", que acabei de ler hoje.
Escrito pela norte-americana Ursula K. Le Guin (página oficial dela aqui, meio zoada), é um livro geralmente definido como ficção científica; porém, assim que você passar os três primeiros capítulos, sentirá que é muito mais do que isso - é também sociologia, inventividade, psicologia, mitologia e ,claro, ciência, engenhosamente trabalhadas em uma narrativa de extrema qualidade, mas nem por isso difícil ou afetada. Enfim, recomendo muito que leiam, divirtam-se, meditem e depois me digam como essa mulher pôde escrever tal obra em 1969 (e em menos de 300 páginas).
Li a edição da editora Aleph, que, embora seja muito bonita, tem alguns deslizes na revisão e um raio de uma fonte que torna tudo mais difícil para o leitor (principalmente o leitor míope), mas meu exemplar está à sua disposição.
Há muitos anos não lia um livro que me pegasse tanto. Depois de um tempo envolvido com a ficção, é natural que ela se torne previsível ou que não dê mais prazer para quem desfruta dela (como ocorre com quase tudo nesta vida, aliás); hoje, entretanto, estou completamente consumida e arrasada, porque o livro acabou. Vida de nerd é muito ridícula.

"Em algum trecho do diário que Estraven escreveu, durante nossa longa e difícil travessia do Gelo Gobrin, ele se pergunta por que seu companheiro tem vergonha de chorar. Poderia ter-lhe dito, mesmo então, que era mais medo do que vergonha. Agora atravessava o Vale Sinoth e entrava no território frio localizado além do medo. Lá, descobri que se pode chorar à vontade, mas de nada adianta".

segunda-feira, 27 de outubro de 2008

Protesto-arte

Longa empreitada a relação de 100 idéias verdes que a revista Criativa de outubro selecionou para humanos não ativistas, como eu e você, colocarem em prática no cotidiano e também se envolver mais com as causas ambientais - "o essencial, o radical e o que não passa de puro marketing ecológico", a capa diz.
Abrindo a reportagem, um bando de famosos aparece nu, em fotos super artísticas e que, óbvio, não chegam a mostrar nada, mas servem de arma poderosíssima para mobilizar ações em prol da natureza. Fala sério... desde quando ficar pelado numa revistinha que não vai reverter a renda para iniciativas ambientais ou de defesa dos animais representa uma ajuda ou protesto? Não sei por que ainda compro e leio essas coisas (ah, tá, é porque tinha aquela reportagem com foto sobre o Jude Law...).
De qualquer maneira, algumas dicas são importantes e fáceis de por em prática; outras merecem um pensamento mais dedicado e outras ainda estão fora de cogitação pra mim, como os absorventes íntimos laváveis.