terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Em busca do homem perdido

Essa postagem tem tudo para se tornar muito longa. Farei o possível para que isso não aconteça e não afaste você, leitor, de mim. Vamos lá.

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Alguns anos atrás, o Orange Prize for Fiction pediu a 1.900 mulheres do Reino Unido que escolhessem o homem que representaria o encontro perfeito para elas. Super Homem conquistou o 3°lugar, James Bond ficou em 2° e, liderando os níveis de estrogênio, Sr. Darcy. Mais ou menos na mesma época, perguntaram às mulheres quem elas convidariam para um jantar e o Sr. Darcy venceu novamente (James Bond ficou em quarto e o Super Homem não recebeu convites).

Uma pesquisa australiana mais recente, cuja fonte ainda não consegui localizar, mostrou que 8 entre 10 mulheres preferem o Sr. Darcy ao Brad Pitt.

Tendo isso em mente, acho interessante pensar que:
1) Sr. Darcy é protagonista de um dos maiores romances ingleses, Orgulho e Preconceito (no original, Pride and Prejudice), escrito por Jane Austen em 1813. Virou uma série de sucesso da BBC em 1995 e um filme belíssimo em 2005.

2) De 1813 a 2009, muitos anos de fascínio. Porém, como não se subestima o poder de um clássico, essa credibilidade serve como tese, mas não como antí-tese. Tipo, não dá pra dizer que tem alguém tentando forjar o fascínio que ele exerce.

3) É totalmente aceitável que o Sr. Darcy afete mulheres do Reino Unido, mas é no mínimo estranho pensar que essa atração atravesse todo o globo e alcance a Austrália. Além de mim, quantas brasileiras amam o Sr. Darcy? Quantas latino americanas? Etc.

4) Mais estranho ainda é saber que o Sr. Darcy é uma personagem. Tá certo que, em matéria de acessibilidade, o Brad Pitt é tão personagem quanto o Darcy, mas não é assustador ver mulheres (muitas mulheres) preferindo uma personagem de ficção a um ser humano?

Ocorre que as personagens que a Jane Austen criou são magníficas. Quem lê torce por elas e as acompanha com fervor, desejando intensamente que elas existam e/ou que sejam suas amigas. Não permitimos que alguém fale mal delas e chegamos ao ponto de pensar que, na verdade, são criações nossas e não podem pertencer a mais ninguém.

E o Sr. Darcy... ah, o Sr. Darcy é simplesmente demais. Possivelmente a personagem mais perfeita e cativante de Austen (bem como da literatura mundial), o Sr. Darcy é bonito, inteligente, gélido e lacônico; é rico e arrogante, mas não por presunção e sim porque é sincero ao extremo e está comprometido com sua própria felicidade. Como se não bastasse, é generoso, pungente, decidido e, imagine, está solteiro.

Siiiiim, casamento é um negócio, um expediente que confere eletricidade aos romances da Jane; é o século XVIII e a ambição máxima da mulher nessa época, meus caros, é se casar. Nesta sociedade, a posição e segurança máximas que uma mulher pode obter resumem-se a um lar que seja tão seguro quanto o de sua família e ao respeito que o nome de seu marido transferirá ao nome de seu pai - enfim, é uma troca que deve ser equivalente e minimamente compensatória, mesmo que não haja amor. Em uma das cenas do filme, uma mocinha diz à outra: "Não ouse julgar meu casamento [patético], nem todos podem se dar ao luxo de serem românticos".

Se, no entanto, a mocinha da história não faz do casamento sua razão de existir, a narrativa cresce. Se ela tem seu orgulho ferido pelo homem por quem se sente atraída, os sentimentos contraditórios temperam a história. Mas se a mocinha recusa uma proposta de amor e casamento e o homem, despedaçado, é obrigado a engolir em seco, o leitor já está mais do que aflito para que eles finalmente se entendam. Com essa receita, quem consegue não amar Elizabeth Bennet e o Sr. Darcy e tudo aquilo que um acrescenta ao outro? Quem não quer ser como eles? Quem não quer que eles existam? É escapismo, sem dúvida, mas se você puder escolher entre Elizabeth, Darcy, Cinderela, Ulisses ou Brad Pitt, Angelina, Rodrigo Santoro, Gisele, enfim, um ser humano, é absolutamente compreensível que você prefira as personagens de ficção, pois elas te oferecem tudo aquilo que a realidade jamais oferecerá. Estou prestes a dizer algo doloroso, porém verdadeiro: a ficção pode não te agradar sempre, mas ela nunca te abandona.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

Quase nada assim tão malicioso




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"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Altos e baixos, para todos

No último sábado fiz um bate-volta até São Paulo, queria conhecer a feira (e o bairro) da Liberdade e dar uma volta no centro sujo e fedido.
Foi lá perto dos arranha-céus bancários que ele apareceu, todo desbotado, detonado, trancado e com cara de poucos amigos: o edifício Sampaio Moreira. Fiquei deslumbrada com as sacadas de diferentes tamanhos e a fachada assimétrica, com acabamentos distintos entre os andares e, lá no topo, o charme definitivo de um terraço inicialmente destinado a abrigar uma casa de chá.
Daí logicamente quis entrar, mas só pude imaginar como é por dentro - estava, como disse, trancado, e só havia uma mercearia no térreo, funcionando a pleno vapor. Achei umas páginas com informações bacanas (imaginem que o elevador é movido por uma alavanca dourada, campainha ao invés de painel de chamada e portas manuais, claro; artesanal, o lindo) e encontrei também descrições do saguão de entrada.

É. Não me interessa muito subir no prédio do Banespa, nem ver o futurismo arquitetônico do Instituto Tomie Ohtake. Eu quero ver sacadas enferrujadas, colunas escurecidas, pintura descascada, o piso solto pelos pés que zanzaram por lá ao longo dos anos. Quero os edifícios esquecidos, espremidos entre prédios modernos, enjeitados pela própria família. Quero dinheiro para abrir a casa de chá no terraço.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Doce Vida

Desde dezembro estou no maior entusiasmo, porque a cada semana um amigo que estava em outra cidade ou país me ligava dizendo que viria passar as festas/férias em Jundiaí, junto da família. Aí foi só alegria: festas nos finais de semana, cafezinhos e reuniões durante os outros dias.



Mas dezembro e janeiro acabaram e quase todos já retomaram seus postos em suas terras. Agora, eu e meia dúzia de gatos pingados ficaremos aqui, abandonados e mal-acostumados outra vez, só porque os estrangeirinhos retornaram à uma vida que também pode ser a nossa, a médio ou longo prazo - porém, tendo que ouvir que um pouco de saudade faz bem para quem vai e para quem fica.
É, eu sei, fica parecendo uma relação obsessivo-possessiva, mas juro que não é nada disso - quero mais é que eles alcem voos cada vez maiores, cresçam e apareçam. Só não consigo disfarçar o quanto gosto quando vivemos como a turma do Barbapapa, andando grudados num bloco só, pra lá e pra cá.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Quase nada assim tão dramático



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"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada do jornal Folha de SP.

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Em fevereiro.

Em fevereiro.


Sempre que um grupo de pessoas está diante de um televisor e é noticiado um um fato ruim se ouvem comentários como “isso é o fim do mundo!”, “a humanidade está perdida!”, entre outras pérolas.

Particularmente penso que sempre se terá a impressão de que vivemos o pior (ou melhor) momento da humanidade. Hoje, o problema de 50 anos atrás pode nos parecer extremamente simples, mas na época não era; assim como os de hoje irão parecer fichinha daqui 50 anos. O tamanho do problema é proporcional ao progresso, ou pogréssio, como diria o genial Adoniran Barbosa.

Atualmente muitas dúvidas perturbam o mundo: “Quando os conflitos da faixa de Gaza vão terminar?”, mas por sorte vivemos em um país tropical. “Quais vão ser os efeitos da crise mundial?”, mas por sorte nosso país é abençoado por Deus. “Ronaldo, o fenômeno vai recuperar a forma e voltar a ser um goleador?”, mas por sorte, nosso país ainda é lindo por natureza. Tudo isso sem falar da fome...

Mas toda essa preocupação é em vão, afinal ainda estamos no começo do ano. O presidente eleito dos EUA ainda nem tomou posse, na terra querida Jundiaí podemos ter novas eleições pois ninguém ainda sabe se a de outubro passado valeu, ainda nem saíram os resultados da Fuvest 2009....

Porém só precisamos nos preocupar com isso lááááááááááá em março. Por que não em fevereiro ? Porque em fevereiro, tem carnaval.


ps: Adoro Jorge Ben Jor e também tenho um Fusca. Respeito muito o carnaval, ainda mais depois de conhecer o seu Leandro (de Itaquera) e o ilustre seu Nenê (de Vila Matilde, é claro), porém vou passar o mês de fevereiro da Terra do Gelo.

segunda-feira, 12 de janeiro de 2009

Quase nada assim tão bonito


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"Quase nada", de Fábio Moon e Gabriel Bá, todo domingo no caderno Ilustrada/ Folha de SP.