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quarta-feira, 5 de maio de 2010

Luvibórix

"Ele mantém somente um olho fechado para que o outro veja normalmente o espaço. Tampa um olho enquanto mantém outro aceso vibrando, vivo, vi/vendo. Intensíssimo. Por que não abre os dois juntos? Não pode. Um olho está costurado. Não pode fazer assim. Se vendasse o outro olho e reabrisse o direito, por exemplo, veria outro espaço, outros seres e coisas, um universo distinto desse em que nós estamos. Com os dois olhos abertos misturaria os dois universos numa visão simultânea. O universo esquerdo se chocaria com o universo que flui do olho direito, com este universo que resiste sólido, dentro do qual vivemos tudo o que é possível".
Carlos Emílio Corrêa Lima, "Luvibórix".

Um dos contos da minha leitura do último mês, Páginas de Sombra, livro que tinha começado e vinha tentando terminar há 6 anos (sim, eu anoto início e fim de leituras, louca de pedra) - não porque estava ruim, mas porque não era a vez dele. Antologia de contos fantásticos brasileiros, com autores conhecidos, obscuros e ilustrações, ótimo para quem ainda acha que o Brasil não tem tradição em literatura fantástica.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2009

A Doce Vida

Desde dezembro estou no maior entusiasmo, porque a cada semana um amigo que estava em outra cidade ou país me ligava dizendo que viria passar as festas/férias em Jundiaí, junto da família. Aí foi só alegria: festas nos finais de semana, cafezinhos e reuniões durante os outros dias.



Mas dezembro e janeiro acabaram e quase todos já retomaram seus postos em suas terras. Agora, eu e meia dúzia de gatos pingados ficaremos aqui, abandonados e mal-acostumados outra vez, só porque os estrangeirinhos retornaram à uma vida que também pode ser a nossa, a médio ou longo prazo - porém, tendo que ouvir que um pouco de saudade faz bem para quem vai e para quem fica.
É, eu sei, fica parecendo uma relação obsessivo-possessiva, mas juro que não é nada disso - quero mais é que eles alcem voos cada vez maiores, cresçam e apareçam. Só não consigo disfarçar o quanto gosto quando vivemos como a turma do Barbapapa, andando grudados num bloco só, pra lá e pra cá.