terça-feira, 25 de novembro de 2008

"...and I don't wanna stop at all"

Não, eu não acredito na volta do Queen, do Led Zeppelin, d'Os Mutantes, nem de nenhuma dessas bandas legais, que tentam continuar na estrada apesar da morte ou saída de um integrante-símbolo do grupo. Pior do que recrutar novos membros e voltar à ativa é não saber a hora de parar antes de fazer besteiras ou promover revivais em que a famosa canção possa ser tocada por seus autores novamente, dependendo apenas do cachê que se paga (na América Latrina, é claro, porque só aqui zumbis lotam estádios para celebrar mortos-vivos).
Fica meio ridículo, principalmente em idiossincrasias: Roger Taylor não tirou os óculos escuros desde que a banda voltou... será que é para tentar convencer as pessoas de que ele não tem rugas nem bolsas sob os olhos? Ou será que é para tentar convencer ele mesmo?



Velha guarda, pra mim, só nas gravações de estúdio, videoclipes e, muito de vez em quando, em bandas cover; só aquilo que já passou, está assumidamente morto e (que deveria estar) enterrado. Gosto da Rita Lee que dá as costas ao retorno dos Mutantes, apesar de ela mesma não produzir algo novo há tempos. Gosto do projeto Page/Plant e gosto do Robert Plant que dá as costas ao retorno do Led Zeppelin, para fazer uma bela carreira solo com artistas variados.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Dia da Consciência Negra

Dentre todos os feriados do Brasil, o mais inútil acontece em 20 de novembro, conhecido como o Dia da Consciência Negra. Antes de vocês me jogarem pedras e me crucificarem, permitam-me explicar-lhes o meu ponto de vista (e não se preocupem, não me estenderei demais):

Vamos analisar alguns feriados:

7 de setembro : É comemorada a Independência do Brasil, o dia em que lembramos do feito histórico em que nos desvencilhamos de nossa metrópole dominadora Portugal e nos declaramos um país.
15 de novembro: Proclamação da República. Finalmente nos desvencilhamos de um governo monárquico e ultrapassado para instaurarmos a democracia!

Reparem que estes feriados tem como objetivo valorizar nossa história, manter viva a luta de alguns grandes nomes que dedicaram suas vidas a construir um país de verdade. O Dia da Consciência Negra não celebra nenhum grande evento, ao contrário, ele tem como objetivo conscientizar as pessoas da importância do negro na sociedade para que então isso se torne um fato histórico, segundo o ponto de vista dos negros.

Não sou tapado para não perceber que negros tiveram uma importância gigantesca em nossa sociedade e que sofreram (e ainda sofrem) muita discriminação e inferiorização perante a sociedade. Contudo, não acho que isto se resolve ou simplesmente é combatido com um feriado para conscientização da população da importância do negro na sociedade.

Não sou racista, sou humanista; e como humanista, valorizo sim o quilombo dos palmares, a capoeira, Barack Obama, Michael Jordan, Pelé e tudo o que os negros trouxeram de bom para a humanidade. Contudo, condeno a postura que os negros adotam ao solicitarem cota de vagas nas universidades ou um dia para conscientizarem a nação sobre a sua luta. Isso é racismo! É preocupar-se em segregar as raças, é tentar colocar o negro em uma posição de concorrente do branco, como se a vida fosse uma disputa para saber quem é melhor: o negro ou o branco.

Igualdade não se instaura desta forma. A grande riqueza do Brasil, que é muito mal aproveitada, é a miscigenação racial, que, a exemplo dos romanos que incorporaram a cultura grega helenística para incrementar a sua própria cultura, cria uma cultura nacional rica como em poucos outros lugares do mundo podemos aferir.

Já é hora dos negros não lutarem mais por conscientizarem o mundo de sua importância, isso todos já reconhecem e se arrependem de atrocidades cometidas no passado, como a escravidão. Sigamos o exemplo dos europeus que após a segunda grande guerra uniram franceses, alemães, ingleses e italianos esquecendo diferenças, assassinatos e atrocidades, e hoje são o maior exemplo de sociedade e economia bem estruturadas.

É hora de celebrarmos o Dia da Consciência Humana, ou o Dia da Luta Pela Igualdade. E igualdade se constrói com a conscientização de que ninguém é diferente de ninguém, não com a conscientização de que existiram e existem grandes personalidades negras.

sábado, 15 de novembro de 2008

Dois momentos

Notícias exibidas no Jornal Hoje do dia 14 de novembro de 2008, que eu acabei assistindo durante o almoço:

1) Jovens israelenses se recusam a servir o exército

Tamar, Omer e Mya se recusam a colaborar com o exército israelense na ocupação de territórios palestinos. Acontece que Tamar, Omer e Mya são meninas, e muito bonitas, aliás. Mas isso para elas não faz a menor diferença - elas são politizadas, estão buscando a abertura de um diálogo, porque sabem que o tempo de guerra e ocupação já devia ter acabado há tempos. Não querem que o país disponha dos melhores anos delas, de seus amigos, amigas e namorados num debate egoísta e mofado.
Enquanto elas tentam conscientizar o exército e as pessoas ao redor delas, são presas praticamente toda semana: o exército as coloca atrás das grades, libera depois de um tempo, faz uma nova convocação e, como elas mantêm sua posição, voltam para a cadeia. No próximo domingo deve acontecer a próxima detenção dessas moças.

2) Concurso "Garota da Laje" pára o centro do Rio
Vocês já sabem do que se trata: um concurso para eleger a garota mais bonita do grupo que se bronzeia na cobertura de concreto da casa. Elas tomam sol, se esquentam bastante, se refrescam com uma mangueira, os vizinhos assistem e as esposas dos vizinhos ficam pra morrer. Para a eleição, as moças fizeram um passeio pelo centro da cidade minimamente biquinizadas, se exibindo pelos bares, praças e afins. Homens tirando fotos no celular e dando seu veredito: "Vou fazer uma laje na minha casa e alugar elas todas por uma tarde inteirinha". Alugar, justamente.

Uma notícia veio seguida da outra, nessa ordem. Primeiro um peso desgraçado, depois algo dito "mais leve", tão leve que praticamente flutua e se perde no céu.

Não precisaria escrever mais, se não quisesse. Não é bom generalizar, mas a mulher brasileira tá cada dia mais burra, degradada e sinto muita vergonha disso tudo. Não que os homens estejam num patamar muito melhor, mas sei lá... quando eu vejo humanos fazendo e falando tanta sujeira, me sinto ofendida. Quando eu, como mulher, vejo mulheres descendo tanto, lamento um pouco mais, pensando no ponto a que as lutas do movimento feminista chegaram.

Penso, com admiração e tristeza, na luta sincera das garotas israelenses que se sujeitam ao exército por integridade, entregando somente aquilo que não podem mais deter. Vocês decidem qual desses momentos é céu e qual deles é inferno, se conseguirem. Eu não quero mais.

sábado, 8 de novembro de 2008

Dindi

Não assisti ao filme, mas a história de uma dona de quitanda à beira da falência já rendeu um pôster belíssimo:



Bom final de semana, divirtam-se:

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Trajetória da Esperança

(...)"Estou convencido de que a análise política de Obama foi um fator decisivo. Ele concluiu que um tempo estava se acabando, que as querelas dos anos 60 chegavam ao esgotamento. Viu o país dividido entre republicanos e democratas, assim como outros pequenos impasses que o debate nacional estimulava. Resolveu construir pontes.
Esta decisão, para mim, foi sábia. De que adiantam debates estéreis, em que se volta para casa com uma sensação de superioridade moral, mas nenhum avanço prático?
Uma realidade importante até para o Brasil: embora existam dois fortes partidos disputando o poder, grande parte da população não se identifica integralmente com eles. Nos EUA, são os independentes. O candidato fala para os independentes. É capaz de mobilizá-los? Entre eles estão 40 milhões de jovens, ávidos por proposta de esperança.
Ao longo de dois anos de campanha, foi possível colocar o país de pé, esperando, com orgulho, horas numa fila de votação.
No Brasil, com nossos métodos modernos, podemos suprimir as filas. Mas estamos em condições de injetar esperança menos de uma década depois da eleição de Lula?"
Fernando Gabeira, Folha de SP, 07/11/2008. Completo (mas só para assinantes ou piratas): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0711200805.htm

Dá um medo, não? Penso que estimular a esperança das pessoas é coisa complicadíssima e uma das maiores responsabilidades humanas, porque se você suscitar este sentimento, mas falhar em correspondê-lo mais tarde, alimentará novas descrenças. E, desnecessário dizer, não existirá decepção maior.

terça-feira, 4 de novembro de 2008

Go, Obama, Go!

Hoje é o dia que definirá quem será o governante do Brasil pelos próximos 4 anos.
In Obama we trust.



Barack Obama na escola de Direito de Harvard, onde presidiu Harvard Law Review. (Como é que alguém consegue estudar Direito e ainda manter um sorriso desses? Só por isso já merece todo meu respeito).

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Highest Ground

Imagine se vc conseguisse chegar no termo que faz toda a sua campanha chegar num ponto tão alto, em termos de conceito, que tudo fica tão bem amarrado e fazendo tanto sentido, que vender o produto é um mero detalhe.

Mas como assim?

Vc já deve ter ouvido sobre share of business, share of people, share of whatever. Estes "shares" ajudavam as pessoas a vender produtos pra determinadas nichos de empresas, determinadas faixas etarias, raciais ou gêneros e a vender pra seja lá quem vc quisesse, mas quase sempre sendo muito voltado pra determinado share.

Agora foi criado/descoberto um novo share, o share of culture. Vc se apropria de uma cultura e abranje uma caceta de pessoas ao mesmo tempo sem elas perceberem, inclusive pra vc que tomou uma coca-cola na última semana.

wft?

A coca-cola foi uma das primeiras, senão a primeira, a usar esse novo conceito com a campanha "viva o lado coca-cola da vida".

Eles chegaram com a seguinte conversa em vc:

- po, o mundo ta essa merda, as calotas polares derretendo, fome pra todo lado, focas banhadas por petroleo, mico leao dourado qse extinto... =\
- é mesmo, ta tudo uma merda =\
- mas eu acho que o mundo pode ser um lugar melhor =)
- é, eu tbm acho =)
- viu só? estamos do mesmo lado. nós acreditamos nisso. seja meu amigo =D

Então com essa conversa, que a primeira vista parece small talk, eles te venderam o otimismo, que é o Highest Ground dessa campanha da coca-cola. Eles te vendem que a coca-cola, assim como vc, ta desanimada com o mundo, mas que acredita que tudo pode ser melhor, assim como vc acredita. Venderam coca-cola pra toda a humanidade, ja q ta todo mundo triste com a situação atual das coisas, em qualquer nivel.

Então viva o Otimismo!! \o/
Venha para o lado coca-cola da vida.

Mas perceba que a palavra "otimismo" não aparece em nenhum momento da campanha.

Pra vc que ainda não entendeu muito bem, vamos pra um outro exemplo, ganhador do prêmio Titanium de Cannes em 2008.

Se vc tem algum contato com o mundo dos video-games e jogos de computador, já deve ter ouvido falar de um jogo chamado Halo.

O jogo em si é simples: é um fps (first person shoter), com o plot basico de mire e atire em alienígenas descontrolados, de coronhadas na nuca de pessoas malucas e coisas do dia a dia de um comandante de guerra estelar.

Até aí, nenhuma novidade.

O game que eles iam vender nessa campanha já era o terceiro da série, ou seja, acho que já estava tudo meio batido e chato.

Com isso em mente, eles estavam com medo de que as vendas não fossem tao bem, apesar da legião de fãs que se compara a Trakers e Jedis em termos de loucura na cabeça.

A proposta, então, era fazer com que pessoas que nunca haviam jogado os 2 títulos anteriores, sentissem um desejo incontrolável em jogar este, que nem aquele desejo incontrolável que vc tem de comer um docinho depois do almoço.

Má cuma?

Antes de continuar, um pequeno parenteses: Aqui no Brasil, a industria de jogos eletronicos (nao aquela de caça niquel que tem na padaria do lado da sua casa) está engatinhando, mas nos Estados Unidos, a industria de games já passou a industria do cinema em montante de dinheiro, então as áreas de marketing e planejamento tem um orçamento fucking huge e como se isso nao bastasse, o jogo é da Microsoft.

Depois de algumas semanas pensando em como abordar essas pessoas, a agência chegou no Highest Ground "Believe". A idéia era fazer com que pessoas comuns acreditassem que a guerra estelar a qual o jogo aborda, realmente houvesse existido.

Como?

Construindo museus, fazendo monumentos em memoria dos soldados mortos, fazendo um mega documentario com dados e depoimentos de soldados que participaram dessa guerra falando em quão fodão era o comandante deles (o seu papel dentro do jogo), dentre muitas outras coisas nesse sentido.

Agora vc deve ter entendido o meu parenteses alí em cima: imagina a grana que os caras gastaram pra fazer essa coisa toda, construir museu, maquetes imensas, monumentos, milhares de atores velhinhos dando depoimentos sobre uma guerra que nunca existiu e etc.

E deu certo essa viagem?

PORRA se deu, o lançamento desse jogo foi nada mais nada menos que o maior lançamento de entretenimento da historia. E mercado de entretenimento engloba cinema, musica, literatura e outras coisas. Não teve último livro do harry potter, piratas do caribe, star wars, titanic nem nada que tivesse dado tanto lucro no seu dia de estréia como esse jogo. Cara, isso é foda demais.




Se inspirando um pouco nesses casos, já apareceram algumas campanhas brasileiras que começam a usar esse conceito, como a Dove com a campanha da "Beleza Real".

Depois de digerir tudo isso, daqui alguns dias ou semanas, talvez vc consiga pensar nas coisas que vc faz no dia a dia, usando um pouco desse conceito e chegando em lugares super bacanas no mundo de idéias.