(...)"Estou convencido de que a análise política de Obama foi um fator decisivo. Ele concluiu que um tempo estava se acabando, que as querelas dos anos 60 chegavam ao esgotamento. Viu o país dividido entre republicanos e democratas, assim como outros pequenos impasses que o debate nacional estimulava. Resolveu construir pontes.Fernando Gabeira, Folha de SP, 07/11/2008. Completo (mas só para assinantes ou piratas): http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0711200805.htm
Esta decisão, para mim, foi sábia. De que adiantam debates estéreis, em que se volta para casa com uma sensação de superioridade moral, mas nenhum avanço prático?
Uma realidade importante até para o Brasil: embora existam dois fortes partidos disputando o poder, grande parte da população não se identifica integralmente com eles. Nos EUA, são os independentes. O candidato fala para os independentes. É capaz de mobilizá-los? Entre eles estão 40 milhões de jovens, ávidos por proposta de esperança.
Ao longo de dois anos de campanha, foi possível colocar o país de pé, esperando, com orgulho, horas numa fila de votação.
No Brasil, com nossos métodos modernos, podemos suprimir as filas. Mas estamos em condições de injetar esperança menos de uma década depois da eleição de Lula?"
Dá um medo, não? Penso que estimular a esperança das pessoas é coisa complicadíssima e uma das maiores responsabilidades humanas, porque se você suscitar este sentimento, mas falhar em correspondê-lo mais tarde, alimentará novas descrenças. E, desnecessário dizer, não existirá decepção maior.

Nenhum comentário:
Postar um comentário