segunda-feira, 22 de junho de 2009

Do estágio

"Considerando as experiências que já tive como professora, vejo o atual momento do Christian como extremamente precioso; são momentos assim que podem fazer uma pessoa descobrir muito sobre si mesma e sentir prazer com essa descoberta de algo que nem sabia existir dentro dela. Pedagogicamente, o entusiasmo seria o momento em que grandes feitos seriam obtidos através da dedicação e interesse que o aluno está oferecendo; é o momento em que ele se entrega totalmente, por vontade própria. Penso que o professor que não alimenta essa entrega comete um crime ideológico, pois não só desilude emoções sinceras que ele mesmo conseguiu despertar, como também acaba por conduzir este aluno a um caminho de apatia do qual será muito mais difícil retirá-lo em uma segunda abordagem."

Trecho do meu relatório de estágio deste semestre. Acho que está ruim, sei lá... não tô gostando. Quanto mais eu leio, mais eu quero escrever, mas não quero mudar aquilo que escrevi no calor da hora.

O que fica de mais um estágio em escola pública? Muito. Aluno de faculdade que volta pra casa dizendo que isso não acrescentou nada à formação dele, certamente entrou na escola decidido a enxergar nada ou faz tal afirmação para facilitar suas escolhas futuras.

sábado, 6 de junho de 2009

Preliminares

"Préliminaires" é o nome do disco mais recente do Iggy Pop. Se você me conhece há algum tempo, já deve ter me ouvido falar isso, mas o fato é que esta é a hora perfeita para repetir: o Iggy é demais.
Ele ainda é incapaz de usar uma camisa, o que ao mesmo tempo lhe impede de esconder sua barriguinha e outras saliências e isso também é lindo da parte dele: para quê esconder as marcas que a vida nos fez, sejam elas visíveis ou não? Iggy é autêntico: há anos não lançava um material novo que prestasse, não tem um piercing ou uma tatuagem sequer, mas mantém os cabelos loiros e longos, deve malhar e deve beber. É um punk forever, cão sem dono aberto para a arte e para novas propostas - por isso, não vê necessidade em gritar, convulsionar e se jogar nos amplificadores o tempo todo. É preciso economizar alguma energia e entre os momentos extremos há as preliminares; não só as sexuais, mas também as da efemeridade ("Em minha idade, cada ato é preliminar da morte", disse Iggy no lançamento) e, acima de tudo, as que precedem uma nova fase. São a entresafra de algo que ainda não se sabe o quê.



"Préliminaires" é belíssimo. Há canções em francês, em inglês e a leitura de um trecho sobre a morte de um cão (do livro A possibilidade de uma ilha, de Houellebecq). Poucos discos já me ativaram tantos sentimentos diferentes. Parece uma trilha sonora, que recupera um mesmo tema várias vezes, mas as guitarras e distorções ainda estão todas lá, graças a Deus; em alguns momentos me lembra Doors e Tom Waits, ídolos da minha adolescência; me lembra praia no inverno; me lembra de coisas muito íntimas, que estão tão dentro de mim que eu precisaria nascer de novo para me livrar delas; me lembra "Cidade dos Sonhos", de David Lynch, o que me lembra Ricardo e outras coisas que gosto, que já tive e que perdi; me deixa triste e também me conforta. É a única coisa que consigo ouvir agora.

sábado, 30 de maio de 2009

Firmin

"O bigode de Jerry era bastante espesso e atraía grãos de arroz como um ímã quando ele comia - os grãos pareciam voar na direção dele. Passado um bom tempo, quando já me sentia mais seguro quanto ao nosso relacionamento, eu costumava tirar esses grãos dali com as minhas patas e os engolia. Isso sempre o fazia rir. E, quando ele ria, era fácil imaginar que eu estava diante do homem não apenas mais inteligente, mas também mais feliz do mundo."


Firmin, de Sam Savage (Ed Planeta, 2008).

sábado, 16 de maio de 2009

BCSP em Jundiaí

Balé da Cidade de São Paulo em Jundiaí. De graça. Só pode significar uma coisa: Deus existe.



Hoje às 19h00, no Polytheama. Vejo vocês lá.

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Realidade

Hoje estou meio eufórica por ter tido um dia extraordinário e por ter percebido que se tratava de um dia incomum enquanto ele ainda acontecia. Não vou corrigir os possíveis erros desta entrada agora, talvez nem mais tarde eu faça isso - apenas vou escrever sobre o dia de hoje antes que ele se perca inteiro dentro de mim e eu já não consiga mais distinguí-lo.
Hoje eu saí de casa bem cedo, fui para a faculdade, entreguei todos os trabalhos antes do prazo (!) e fui uma aluna incrível mas matei metade da aula para ir a uma entrevista de emprego em um lugar bacana; suei, fui contratada; suei, andei de ônibus, andei a pé, aceitei ajuda de estranhos, pedi ajuda a estranhos, me perdi e me achei.



Hoje eu voltei pra casa e estudei por várias horas. Dei aula a tarde toda. Planejei a próxima semana e o restinho desta.
Hoje fiquei feliz porque um amigo está se apaixonando e parece estar sendo correspondido. E fiquei feliz porque estou aprendendo um novo idioma, estou estudando, pensando, dançando como uma louca sedada e não me sobra tempo para arrumar meu armário. Não me sobra tempo para pensar bobagens, apenas para falar, hihihi...
Simplesmente não me sobra tempo e não estou preocupada, não quero que sobre, não permito que sobre.

sábado, 18 de abril de 2009

Saudade?


"...ora eis que embora outro dia, quando o vento nem bulia e o céu o mar prolongava
à proa de outro veleiro, velava outro marinheiro que estando triste cantava..."





Tem horas em que tudo o que eu quero é que a minha vida dure pra sempre. E tem horas em que eu só quero que ela acabe logo.
Agora, no entanto, eu juro que quero essas duas coisas.

sexta-feira, 27 de março de 2009

A hora do planeta



Quanto a mim, estarei na penumbra deliciosa do Teatro Polytheama, ao som do Yamandu Costa, que marcará o início da temporada Astra-Finamax 2009 (a.k.a. Alegria de velhinhos e juventude jundiaiense que prestigia tudo o que é acima da média dos eventos "culturais" que vêm pra cá). É bom não precisar procurar diversão fora da cidade em todos os finais de semana do ano.