Escrito por Eça de Queirós, é desses livros que há muito tempo estavam na minha lista de "preciso ler" - finalmente rolou e o terminei nessa noite. Nem conseguia dormir depois, porque eu não queria ter terminado, queria que durasse pra sempre, não queria devolver na biblioteca, queria jantar no Ramalhete e ser da turma do Carlos da Maia e do pedante do Ega. Esnobes, egoístas, arrogantes, insuportáveis, mas que sabiam se divertir. E o livro tem piadas! E também é engraçado em momentos infames!
Há muito tempo um livro não me comovia tanto e não me dava vontade de gritar em alguns de seus momentos. Grande parte da referência cultural e social europeia do século XIX está ali (adoro século XIX) num retrato daquela que talvez tenha sido a última década em que a humanidade se entusiasmou com o mundo.
O primo Basílio? O crime do padre Amaro? É este Eça que deveriam nos dar para ler na escola. Sim, eu sei que seria impossível pedir que os alunos lessem um romance português tão extenso, etc, mas o fato é que Os Maias é incomparável, rico e delicioso em cada detalhe. As frequentes descrições que Eça adora escrever estão todas lá, os estrangeirismos, a excitação do século XIX, que sintetizava o mundo na palavra "progresso", os tipos e personagens únicos, a filosofia, as trivialidades e a as preocupações teóricas. Eça era um engajado em sua causa - conseguia estudar, digerir e pôr em prática as grandes propostas de sua época em sua obra. Como não vê-lo diluído e dissipado nas vozes de Ega, Alencar e Carlos? Como não simpatizar com o expoente máximo do realismo português que, ainda assim, se ressente e se expõe como herdeiro eterno do romantismo, no evidente diálogo final entre Carlos e Ega?
Tenho que amar o Eça depois disso.
Meeeu, Os maias...

"Não sei se ela ainda se lembra de uma boneca que eu lhe dei, que falava, dizia 'Napoleón'... Era no tempo do Império, até as desavergonhadas das bonecas eram imperialistas!" (p.481)
"Você alcança deste modo a coisa que mais se apetece neste nosso século XIX - a irresponsabilidade!... E depois para a sua família não é vergonha, porque você não tem família. Em resumo, convém-lhe?" (p.436, ed. Círculo do Livro)

3 comentários:
JESUS!!! Eça era homem??? Sempre achei que era uma mulher... AI AI AI
Look who's back! Quando vai voltar a blogar? Não me tome como exemplo ::P
Olá Isabella,
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