quarta-feira, 23 de julho de 2008

Rebelde Rebelde

Ela vem vestida de presente,
Ele não a quer.
Ela traz um laço cor-de-rosa.
Ele detesta essa cor.
Ela vem num enorme embrulho.
Ele gosta de coisas pequenas.
Ela custou muito caro.
Ele não quer saber.
Ela foi feita só pra ele.
Ele lamenta e esquece.
Ela é feita de cristal,
Ele não gosta de frescura.
Ela chora desesperada,
Essa tortura não serve de nada.
Ela tem esperanças,
Eu há muito já me canso.
Me fiz com todo o carinho.
Eu tenho ódio de afago.
Sou um presente que te precisa.
Presente? Não precisava.
Eu corto os meus pulsos.
Corte os meus também que não tenho coragem.
Que coisa horrível de se dizer.
Digo o que quiser.
Eu também: eu te amo.
Que coisa horrível de se dizer.
Eu te amo.
Corto meus pulsos.
Que coisa horrível de se dizer.
Eu digo o que eu quiser.
Eu te amo.
Corto meus pulsos.
Eu te amo.
Corto meus pulsos.
Eu te amo.
Corto meus pulsos.


Poema "Água e azeite misturados", de Del Candeias (escritor, tradutor e amigo, ainda sem página na internet, vê se pode).


Bizet/Callas, "L'amour est un oiseau rebelle"

2 comentários:

Mateus Henrique Zanelatti disse...

Que poema interessante Isabella, espero que não seja um sentimento que vc esteja vivendo nese momento.
De qualquer forma, "ele" é muito chato, o que "ela" viu nesse cara?

bella ferraro disse...

Que bom que gostou, Mateus.
"Ela" também é meio chata, do tipo que não se toca e fica se sujeitando a novos 'nãos' o tempo todo... dá pena.
Nem tinha pensado se estou vivendo um sentimento desses, mas talvez esteja sim e não percebi. De qualquer forma, eu o vejo como um poema que eu gosto e que às vezes vem na minha memória - melhor deixar as neuras de fora, por enquanto.
Vi seu email, respondo depois, belê? =)