quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Contos do desencanto

Cosac&Naify, 2006.
O que sempre rouba a cena num Tchekhov são as personagens, quer falemos de uma peça, de contos ou de qualquer outro gênero em que ele se aventure. Tchekhov foi um médico-autor/autor-médico e, por isso, é compreensível e até mesmo esperado que ele busque exprimir o humano em todos os âmbitos de sua vida. 
É mais esperado, ainda, que estes contos tardios em sua carreira se atenham aos caracteres mais mesquinhos e abjetos do ser humano; não há os bons, apenas os maus e os ignorantes do grande circo conduzido pelo governo da Mãe Rússia (do Brasil? de Lilliput? de qualquer lugar, ficcional ou não.
Não há mais humor. As cartas do final do volume ajudam a entender melhor a desilusão de Tchekhov e o cunho socialista que atribuiu a estes escritos, depois dos anos de despojo e luta no tratamento contra o cólera que assolava a Rússia de sua época. Não se encontra, entretanto, a mesma contribuição em seu prefácio, intitulado "A ficção da indiferença" - afinal, a ficção tecida nestas histórias busca justamente nos sensibilizar para o debate das ideias que Tchekhov julga primárias ao homem, e isso não tem nada de indiferente. Além do mais, despreza um bom tanto daquilo que definimos como ficção.
Não achei ruim, mas não achei incrível, talvez tenha esperado demais pra ler esse ou talvez tenha alimentado muita expectativa pelo furor que gerou quando foi lançado, blablabla.


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