É simplesmente patética essa discussão que está invadindo a mídia do país sobre qual o maior escritor da literatura brasileira, Machado de Assis ou Guimarães Rosa. Começou com a FLIP 2008 prestando tributo ao centenário de morte do Machado e decidindo fazer a festa toda para ele, ano em que também ocorre o centenário de nascimento de Guimarães Rosa. Agora, a discussão virou enquete promovida pelo jornal Folha de São Paulo, com direito a uma ilustração que retrata os escritores frente a frente, vestindo luvas de boxe. Parece aquele teste personalidade que esteve na moda há algum tempo - 5 minutos adiantado ou atrasado? piercing ou tatuagem? Beatles ou Rolling Stones? Palmeiras ou Corinthians? Coca-cola ou Pepsi? (Aí também não, né? Será que alguém escolhe a Pepsi?).
E hoje, para coroar a discussão, o suplemento Mais! faz a enquete para pessoas do calibre de Antonio Candido, entre outros críticos literários, artistas, enfim, esse povo relacionado à literatura nacional. E alguns deles realmente tomam partido! E alguns deles foram meus mestres e eu os respeitava! Que vergonha.
Memórias Póstumas de Brás Cubas é, para mim, muito melhor do que Dom Casmurro, mas também gosto muito de O Alienista, uma novela quase obscura do Machado. Grande Sertão: Veredas é um monumento, mas foi Primeiras Estórias que mudou minha vida. O que estou tentando dizer é que logicamente há preferências pessoais, mas não há como medir competência, genialidade, grandiosidade. Camões não me arrepia, Pessoa sim, mas esse tipo de sentimento jamais poderia servir de resposta, se me perguntassem qual deles é o escritor mais importante da literatura portuguesa e se eu fosse uma crítica literária minimamente profissional, que compreende a relevância do trabalho de um Camões, mesmo que ele não me comova. Enquetes e discussões desse tipo são pura banalização de todo o pensamento e beleza que esses dois escritores cristalizaram na nossa literatura - e, acreditem, ser bom de verdade não é tarefa fácil.
Por que precisamos eleger um "número 1"? Por que precisamos de um Shakespeare para colocar em um pedestal? Por que há sempre alguém pedindo para escolhermos algo? Ainda estamos falando daquela história das coisas que você levaria para uma ilha deserta? Bem, sinto informar que nós já estamos em uma ilha deserta e a boa notícia é que você pôde trazer tudo aquilo que queria. A má notícia é que nesta ilha as suas coisas favoritas não conseguem te satisfazer da mesma maneira.
Spit on H*tler’s Grave 19.09-24.09.2025 StadtWERKSTATT,
Friedrichshain-Kreuzberg – Berlin The exhibition Spit on H*tler’s Grave –
An exhibition against the...

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