domingo, 6 de abril de 2008

Cromofobia


Eu estava escolhendo as cores para o modelo do blog e gostei tanto do vermelho do título que pensei em aplicar mais tonalidades quentes em outras partes da página; depois de cinco segundos, eu achei que ficaria brega e comecei a fazer as estruturas restantes em uma escala de cinza. Quando vi o resultado, pensei no David Batchelor, artista britânico que tem horror à ausência de cor na arte contemporânea. Na verdade, sabemos que essa arte desbotada é mero reflexo social: as roupas, as casas, os carros, os móveis, os computadores e também os eletrodomésticos da classe média estão todos claros, chiques - qual dona de casa escolheria, hoje, uma geladeira vermelha, combinando com mesa e cadeiras em fórmica também vermelha, grande sucesso nos anos 70?
Batchelor desenvolveu o conceito de cromofobia neste livro, partindo de observações que ele fez não apenas sobre as cores utilizadas nas artes plásticas, mas também na literatura e até na música, sustentando a idéia de que encontra suas cores favoritas nas partes pobres das grandes cidades.
Essa afirmação me fez lembrar da Tarsila do Amaral, quando ela viajou por lugares pobres e simples do Brasil e ficou fascinada com as cores fortes que eles misturavam sem nenhum pudor. Voltou para casa e começou a aplicar muito amarelo, vermelho, azul e verde em suas telas da fase pau-brasil. Logo depois, os narizes críticos começaram a se torcer, acusando-a de mau gosto e de artista anti-estética.
"Ainda vemos a cor como falta de sofisticação", diz Batchelor. "Há grande resistência em ver seriedade no colorido".

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