Ontem à noite eu saí. Fazia muito tempo que não ia a uma balada e confesso que não sentia muita falta, mas estou empreendendo esforços para me animar um pouco mais.
Conversa, música, amigas, bebidas, dança; tudo bacana até lá pelo meio da noite - depois disso, tive um momento de lucidez que sempre me tira de onde estou e me bota pra ver as coisas de fora. Comecei a desconfiar de tudo, do lugar, da banda, das pessoas e me ocupei em observar a situação, da lateral do palco (espaço em que ainda dá para curtir, mas sugere que você está mais sossegado do que o pessoal do gargarejo e que ainda pode fugir).
Consegui identificar duas pessoas genuinamente felizes - ou que pelo menos me convenceram de que estavam felizes. As outras, incluindo eu, pareciam falsas como as peles que estávamos usando nos casacos; algumas tentavam rebolar mais do que as vizinhas, outras empunhavam suas garrafinhas de vodca e eu não consigo - e nem quero - ser assim.
Um casal já antigo mostra a garota pedindo um beijo ao namorado, que lhe dá um selinho. Um casal que se formou naquela noite não tem nada para dizer ou qualquer pedido pra fazer, só precisa manter o ritmo apaixonado dos beijos famintos.
Eu tento descobrir em qual ponto eu desci nessa história toda, porque eu não me sinto à vontade nem para olhar as pessoas de frente nessas festas, para não dar qualquer motivo... é como se o tempo todo eu fosse ouvir "veio aqui fazer o quê, então?" e eu me imagino uma charlatã.
Não é aquele som, não é aquela dança, não é aquela conversa, não são aqueles caras que vão contagiar minha vida e nublar todo o resto.
Pode parecer superficial dizer isso sem ter sequer conversado direito com aquelas pessoas, mas há coisas que eu simplesmente sei, só de observá-las por alguns segundos, assim como sei o que quero, quando incentivo alguém a se aproximar de mim.
Spit on H*tler’s Grave 19.09-24.09.2025 StadtWERKSTATT,
Friedrichshain-Kreuzberg – Berlin The exhibition Spit on H*tler’s Grave –
An exhibition against the...






