Pois bem, como em toda boa história, temos um príncipe, Siegfried, que está sofrendo muita pressão de sua sociedade, porque já está na hora de ele se casar. E o moço decididamente não tá a fim, ele é muito feliz em sua solteirice e, além disso, não vê a menor graça nas pretês que lhe apresentam - quer mais é sair logo da festa que sua mãe planejou e procurar uma balada com seus amigos, munido de seu novo celular... digo, sua nova balestra, para caçar umas cisnezinhas apetitosas que passaram em frente ao palácio no começo da noite.

Ao longo da noite, Siegfried conhece Odette; os dois dançam, conversam e o príncipe revela que está apaixonado, pedindo para vê-la no dia seguinte. Odette diz que um feiticeiro a mantém aprisionada (aqui você pode imaginar que o feiticeiro representa a superproteção do pai, ou da mãe) e que o feitiço só se quebra quando um jovem de coração puro lhe prometer amor eterno (aqui você pode ouví-la dizer "eu sou pra casar"). E o príncipe promete, enquanto Odette avisa que, até que consiga encontrá-lo na noite seguinte, sua família tentará destruir o plano.
Como é de se esperar, tudo sai errado na noite seguinte: Siegfried, embriagado de ansiedade e de outros feitiços, confunde Odette com Odilla e, então, anuncia seu casamento com a recém-chegada; quando percebe o engano, tenta repará-lo. Odette o perdoa, mas pensa que não há mais futuro para os dois: a pureza se esgotou e a confiança foi diluída.
Se você que está lendo é homem e está se sentindo ofendido com essa postagem, relaxe, não sou feminista e não estou acusando o gênero masculino em especial - inclusive, "O lago dos cisnes" teve esta montagem, em 1995, na qual todos os cisnes são homens, ou seja, qualquer parcialidade foi lindamente redimida para deixar claro que vocês dividem, com as mulheres, sua parcela de desventuras amorosas.

Balés românticos raramente têm final feliz, talvez por isso eu goste tanto deles - você não vai sair do espetáculo achando que só a sua vida amorosa é frustrante, mal resolvida ou atrapalhada. O que eu não entendo é como alguém pode dizer que "O lago dos cisnes" é velharia, enquanto ele vem se repetindo todos os finais de semana, ininterruptamente.
Palavra final, aos cisnes errantes do mundo todo: não insistam em acreditar nas conversas de baladas.

3 comentários:
isso tá com cara de post de quem acreditou em conversa de balada.
=D
=D quase.
ai. balada é um lance muito triste, se vc for pensar. por isso que é feita pra não se pensar, acho.
Na balada eu nem acredito em mim mesmo... Sei que é tudo superficial, e quase nada é válido.
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