terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

Teacher talk

"A moral é algo que se adquire, assim como a música, como uma língua estrangeira, como a piedade, o pôquer, a paralisia; homem algum nasce com ela"


Frase de Mark Twain, o homem no retrato abaixo, que, aliás, é meu retrato favorito de escritor:




Quando escritores debochados e desbocados como o Mark Twain vêm dizendo categoricamente que ninguém nasce com moral, a sensação que eu tenho é a de que essa pessoa pensou tanto a respeito e, por fim, conseguiu ver o assunto com tanta clareza que não teria outro jeito de dizê-lo.
Mas a pergunta que faço é: se a moral, como habilidade, pode ser adquirida, todo mundo que decidir ter moral conseguirá de fato tê-la? Todo mundo que decidir aprender inglês conseguirá? Sabemos que não. Mas o que separa os que conseguem daqueles que não conseguem?

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

O que dizer de 2010, como começar e como se despedir?
Gostaria de me despedir correndo, na São Silvestre com o povão e fantasiada, claro. Mas nunca fui boa em esportes, principalmente nos aeróbicos.
Não vou soltar fogos, porque me deixam aflita e sentimental demais.
Mas queria abraçar todas as pessoas que conheço e gosto.
2010 foi o ano em que tive um acidente de carro pela primeira vez. Foi também o ano em que mais tomei multas até agora. Foi também um ano de virose e dor de garganta, odeio ar condicionado.
Não houve (de novo!)pós graduação, mas houve 2 qualificações de Cambridge. Retomei os estudos de espanhol e de inglês.
Arranjei emprego novo, em área nova - é bom fazer coisas diferentes.
Dancei, parei, voltei, recomecei o balé clássico. Futuro sem pés bonitos pra mim, mas e daí?
Fiz 3 viagens.
Fui ao show do Paul McCartney, show da minha vida e um dos melhores momentos dela também.
Ajudei pessoas, uma das maiores vantagens da renda fixa.
Conheci pessoas que quero ter por perto por muito tempo.
E, o melhor de tudo, namorado novo! S2...S2...S2...


Quase não vi filmes, mas curti Tropa 2 e Origem. Toy Story 3, sublime.
Quase não ouvi música, mas curti o último Scissor Sisters e a Barbara Eugênia - "e só porque eu quis casar, você quis fugir, e se era pra rir, por que eu chorei, então?", mas não gostei do último da PJ, veja só.
Quase não li no 2o semestre, só revistas e hq's. Passei grande parte do tempo lendo Vagabond, no começo foi legal, mas agora já me enchi, o pior que quem tá me emprestando continua trazendo os mangás e eu continuo lendo apenas isso, quanto falta pra essa série acabar? Descobri que não curto séries, logo, o único problema do século XIX, pra mim, seria o folhetim.

Promessas para 2011? Acho importante controlar meu estresse com pessoas que fazem tudo errado. Senti que grande parte do meu fígado foi destruída esse ano e que por isso fui chata com muita gente, se bem que tudo quanto é fogo fui eu que apaguei, ah, não venham me dizer que eu não tinha que pirar com todo esse povo. E talvez seja importante me arrumar mais pra vir trabalhar, apesar de não ter o menor saco. Como uso óculos durante o serviço, acabo fazendo pouca maquiagem e, por isso, baixo o padrão do modelo. Como também subo e desço algumas escadas, deixo o salto de lado. Mas a verdade mesmo é que sempre acordo no último minuto e visto o mais fácil. E acho bom parecer a SuperNanny pra aplicar os exames. O que vocês acham disso, hein, Arlindo e Isabela?

Previsões? A vida vai ficar melhor a cada dia.

Sim, eu sumo. E, quando volto, quero escrever o ano inteiro numa só postagem.

Feliz 2011 a todos. De verdade!

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Ediouro, oh, Ediouro...


Diretos e retos, livros de ouro de quem autoajuda há mais de 15 anos. Quero o último, pra não permitir que o namorado caia no tédio.

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Referência, reverência

O que acontece quando um livro te pega não pela capa, mas pelo título? Fazia uns 10 anos que eu esperava a vontade de ler Zen e a Arte da Manutenção de Motocicletas amadurecer em mim, enquanto uma parte do meu cérebro degustava pacientemente o sabor do título.
Saboroso por quê? Pela combinação improvável de zen-budismo e motos, creio. Pela extensão impecavelmente calculada, talvez. Por ter um certo fascínio por motos e literatura de estrada, também - acho que pensava que esse livro seria outro On the road na minha vida e é aí que surge o drama, porque o livro tem estrada de menos e viagem demais.
O problema na verdade sou eu - eu gosto que me expliquem as coisas, mas não todas as coisas. Definitivamente.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Impressões

A Carta
Quando completei quinze anos, meu compenetrado padrinho me escreveu uma carta muito, muito séria: tinha até ponto-e-vírgula! Nunca fiquei tão impressionado na minha vida.

(Mario Quintana)

Para o bem e para o mal, uma das primeiras coisas que me impressionaram foi um acidente na estrada, que vi quando era meio criança. Dogville e Ilha das Flores me impressionaram muito também. A última coisa que me causou uma impressão e que ainda não sei qualificar como positiva ou negativa foi o vestido de carne da Lady Gaga. Cartas, com ponto e vírgula ou não, me impressionam positivamente sempre.

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Correnteza

Líquido, negro, doce... mas, ainda assim, morno, por isso o faço descer ralo abaixo, ao mesmo tempo em que seu estômago serve de nascente a mais um fluxo de raiva que sobe até seu coração, foz de infinitas ações bem-intencionadas.
Seus olhos de tigre se apagam, você se cala, líquido, negro, incompreensivelmente morno, dono de uma tristeza ainda mais doce.

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A palavra da vez é...

Pronunciado(a).

É chocante, mas o léxico também é regido pela moda. Seguindo a moda do que já foi hype no léxico dos últimos tempos, como, por exemplo, valorizado ("a apresentação dos seus pratos poderia ser mais valorizada"), funcional ("o arranjo dos sofás nesta sala não é funcional"), designer ("não sou padeiro, sou designer de pães").

Assim como houve com revisitado, retrô, exatamente, desestruturado, agora parece ser a vez do pronunciado. Só ontem peguei 2:

"O doce de leite tem sabor pronunciado neste pudim" (blog "The Cookie Shop")
"Use o mantô aberto e sob ele um decote pronunciado" (revista Manequim)


Fala sério, feio de doer o_o